Presidente do júri da Palma de Ouro de 2026, o sul-coreano Park Chan-wook não tem nenhuma jurisdição sobre os critérios de qualidade do Marché du Film, a área do Festival de Cannes na qual negócios milionários são fechados a cada ala. Ali, entre pavilhões de diversos países, quem legisla é a hipótese de lucro. Este ano, esse setor do Palais des Festivals da Croisette, que se estende ainda por um pedaço da orla, vai mobilizar 40 mil profissionais e receber cerca de 16 mil participantes, egressos de 140 nações, incluindo o Brasil, que sempre mantém um dos mais amplos estandes dessa feira onde projetos de longas, de curtas e de séries são promovidos.
O cinema brasileiro pede holofotes no Marché deste ano com títulos como "A Versão da Lei", de Ninna Fachinello, que passa em Cannes no dia 18 de maio, na seção First Look do Showcase do Brasil. A trama acompanha Sol, advogada vivida por Tati Vilella, que atua na defesa de mulheres em situação de violência enquanto lida com os impactos emocionais desses casos.
Os Estados Unidos, a França e o Reino Unido continuam sendo os três principais países em termos de participação, enquanto a Europa continua liderando como a região mais representada. A Ásia está ganhando forte impulso, impulsionada notavelmente pelo Japão, País de Honra deste ano no evento, com três filmes em concurso pela Palma e mais uma leva de títulos espalhados por outras seções.
A indústria japonesa registra um aumento de quase 50% na participação, tornando-se o quinto país mais representado no mercado cinematográfico deste ano. Um de seus títulos mais esperados é "The Samurai and the Prisoner", de Kiyoshi Kurosawa, sobre um lorde guerreiro do século XVI.
O crescimento também está se acelerando em outras regiões. No perímetro do Palais chamado de Vila Internacional, com tendas de múltiplas pátrias, o Iraque retorna pelo segundo ano consecutivo, enquanto o Egito está dobrando o tamanho de sua presença em Cannes, apoiado no prestígio do Festival do Cairo. Em 2026, o Benin está fazendo sua primeira aparição no Marché. A América Latina também está fortemente representada, não apenas por produtoras de CEP brasileiro, mas por meio de atividades organizadas em colaboração com a Ventana Sur — o principal mercado audiovisual da América Latina coorganizado na Argentina e no Uruguai.
Um dos projetos latinos a passar por lá é "La Marca del Jaguar", que une Brasil e México, sob a realização de Victor Mayorga. A produtora brasileira Origem Content, de Ducca Rios e Maria Luiza Barros — conhecida por Meu Tio José e Revoada - Versão Steampunk —, em sinergia com a distribuidora Tucuman/Fênix, liderada por Priscila Miranda do Rosário, associa-se à mexicana Ocelotl Company para levar o projeto ao circuito internacional. No argumento, Xilacatzin, uma jovem guerreira que ostenta a marca do jaguar no peito, vive uma aventura épica quando a deusa Itzpapalotl rouba os ossos sagrados do Templo Mayor, ameaçando aniquilar a humanidade. Injustamente acusada do roubo, Xilacatzin foge para recuperar os ossos e salvar o mundo.