Nesta quarta-feira (13) começa a mostra paralela mais consagrada de Cannes, a Quinzena de Cineastas, que será aberta com um tributo à diretora francesa Claire Denis. Aos 79 anos, essa artesã da autoralidade receberá o troféu honorário Carroça de Ouro, pelo conjunto de sua obra, em meio às suas andanças pelo planeta com "A Cerca" ("Cri des Gardes"), seu mais recente exercício criativo por trás das câmeras.
A láurea foi criada em 2002, como um estímulo à liberdade na criação, e já foi confiada a um rol de transgressores: Jacques Rozier, Clint Eastwood, Nanni Moretti, Ousmane Sembène, David Cronenberg, Jim Jarmusch, Naomi Kawase, Agnès Varda, Jafar Panahi, Jane Campion, Jia Zhangke, Martin Scorsese, John Carpenter, Souleymane Cissé, Andrea Arnold, Todd Haynes e o documentarista Frederick Wiseman. Claire tem no currículo outras láureas de peso. Cultuada por "Nenette e Boni" (ganhador do Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, em 1996) e "Bom Trabalho" (vencedor de menção especial na Berlinale de 2000), ela passou pelo Festival do Rio, presencialmente, em 2013, quando lançou "Les Salauds" ("Bastardos"), nas Américas.
Em sua vinda, aproveitou também para reencontrar familiares que vivem no Brasil. A sua vida sempre foi de trânsito constante entre continentes, e o cinema que constrói — em títulos como "Stars at Noon", condecorado com o Grande Prêmio do Júri de Cannes em 2022 — é, de algum modo, "autogeográfico".
Cannes segue até o dia 23 de maio. (R. F.)