Correio da Manhã
Cinema

A redenção cheira a Diesel

'Velozes & Furiosos', franquia que renovou o combustível do cinema de ação ao faturar US$ 7,4 bilhões, ganha homenagem no Palais des Festivals, comemorando 25 anos de sua estreia

A redenção 
cheira a Diesel

Rodrigo Fonseca

Especial para o Correio da Manhã

Passada uma cerimônia de abertura à francesa, com "La Vénus Électrique", o 79° Festival de Cannes engata a marcha de sua competição oficial a partir desta quarta-feira (13), com sessões de "Nagi Notes", de Koji Fukada, e "La Vie d'Une Femme", de Charline Burgeois-Tacquet, que têm fortes chances de serem ofuscados por um resgate histórico. Às 23h45 do horário francês, o Grand Théatre Lumière, a maior das salas do Palais des Festivals, revisita "Velozes e Furiosos" (2001), numa comemoração dos 25 anos de uma das franquias mais rentáveis da História. O faturamento total da saga, de 2001 a 2023, beira US$ 7,4 bilhões.

O ator Mark Sinclair Vincent, celebrizado como Vin Diesel, é o cabeça dessa operação. Ele, mais as atrizes Jordana Brewster e Michelle Rodriguez; mais o produtor Neal H. Moritz; mais Meadow Walker, filha do finado ator Paul Walker, marcarão presença na sessão, numa forma de celebrar essa cinessérie, cujo próximo filme, "Fast Forever", ficou para 2028.

Em 22 de junho de 2001, a Universal Pictures lançou "The Fast and the Furious" (título original do primeirão), ambientando-se no universo das corridas de rua de Los Angeles. Especulou-se à época que seria um arremedo de "Caçadores de Emoção" (1991), mas nasceu um cult dos mais particulares para o cinemão de pancadaria, sob a direção de Rob Cohen (cineasta por trás de "Daylight" e "Coração de Dragão"). Vin Diesel, que vinha de "O Resgate do Soldado Ryan", lá de 1998, emplacou o ladrão de automóveis e bamba de "pegas" Dominic Toretto. Walker, que morreu em 2013, atuava como o agente da Lei Brian O'Conner. Jordana Brewster era Mia, irmã do grandalhão Toretto. Michelle Rodriguez vivia um ás do volante, Letty, amor do personagem de Diesel. Ao longo de onze filmes que alimentaram a paixão de um público ardoroso, a grife "Velozes & Furiosos" ajudou a manter o cinema de ação recauchutado. Astros como Tyrese Gibson, Ludacris, Sung Kang e Gal Gadot bombaram ali. Até o ferrabrás Jason Statham e o eterno The Rock, Dwayne Johson, juntaram-se a esse coletivo, além de Helen Mirren, Charlize Theron e Kurt Russell. Jason Momoa é o vilão da vez.

Ultrapassando os limites do cinema, a saga "Fast & Furious" transformou-se em um verdadeiro fenômeno da cultura pop. Sua longevidade deu origem a um universo em constante expansão, que inclui brinquedos, videogames, uma série animada e o bem-sucedido derivado "Hobbs & Shaw", com Statham e Dwayne.

"Sinto-me um vencedor ao perceber que um projeto ao qual me engajei com o sonho de ir até o décimo filme, que é a série 'Velozes...', deu certo, mais do que a indústria esperava, e provou o quanto estava certo em acreditar na evolução de personagens ao longo do tempo. Por isso, eu sempre volto às franquias, para refiná-las", disse Diesel no Brasil, quando visitou o Rio.

No Festival de Berlim de 2020, a diva Helen Mirren, sua parceira em "Fast Furious", elogiou o colega, dizendo "Vin é um astro com A maiúsculo, com múltiplos talentos".