O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (13) que a decisão que suspende por 90 dias as visitas do pré-candidato à Presidência a Jair Bolsonaro seria uma tentativa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de impedir sua participação na disputa eleitoral.
Flávio acusou Moraes de “interferir nas eleições” e apontou outras manifestações do ex-presidente por meio das redes sociais, as quais não teriam sido questionadas pelo ministro. A decisão, na prática, impede o contato de Flávio com a principal liderança do partido até depois do primeiro turno das eleições deste ano, marcado para o dia 4 de outubro.
“O que eu percebo é que Alexandre de Moraes quer interferir nas eleições. Quer, obviamente, que eu não seja candidato. Ele sabe da força que meu pai ainda tem, sabe da importância de uma manifestação dele a meu favor e quer impedir que isso aconteça”, disse Flávio Bolsonaro, em uma transmissão ao vivo após o anúncio da decisão.
“Foi a quinta vez que ele [Jair Bolsonaro] escreveu uma carta. E por que desta vez ele [Alexandre de Moraes] resolve questionar que eu estaria descumprindo alguma ordem judicial?”, argumentou o senador. As outras quatro mensagens de Bolsonaro, segundo o senador, foram divulgadas nas redes sociais e dezembro de 2025, janeiro e março de 2026, inclusive a que confirmou sua pré-candidatura.
“Qual é a diferença de eu publicar na minha rede, de publicar na rede da Michelle, de publicar no YouTube, de publicar nas centenas de veículos de comunicação, de sair no Jornal Nacional? Qual é a diferença? Nenhuma diferença”, criticou.
"Porta-voz"
Na carta lida por Flávio em transmissão ao vivo no sábado (11), Bolsonaro apontava o senador como seu “porta-voz” e pedia “união” da direita em torno da pré-candidatura à Presidência. “O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento”, dizia Bolsonaro, na mensagem.
“Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade. Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria”, afirmava o ex-presidente.
Para Moraes, Flávio Bolsonaro cometeu “desvio de finalidade” na sua visita como advogado e familiar do ex-presidente e colaborou com a violação da medida cautelar que impede Jair Bolsonaro de usar suas redes sociais ou de terceiros. O ministro determinou prazo de 48 horas para que a defesa de Bolsonaro se manifeste sobre a divulgação da mensagem.
“Utilizando-se do seu direito de visita, FLÁVIO NANTES BOLSONARO obteve uma carta do sentenciado JAIR MESSIAS BOLSONARO, com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais. Não há dúvidas, portanto, que a conduta irregular de FLÁVIO NANTES BOLSONARO desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita, permitindo, nos termos do §1º do artigo 41 da Lei de Execuções Penais, sua imediata suspensão”, disse Moraes.
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