Correio da Manhã
Política

Ciro Nogueira troca de defesa em investigação sobre Banco Master

Segundo advogados, medida foi "comum acordo"; Ciro Gomes nega candidatura à presidência

Ciro Nogueira troca de defesa em investigação sobre Banco Master
Ciro é apontado como espécie de braço político do Master Crédito: Lula Marques/Agência Brasil.

Em meio às investigações sobre o suposto envolvimento do senador da República e presidente do Partido Progressista (PP), Ciro Nogueira (PI), no caso do Banco Master, o escritório de advogados que representava a defesa do parlamentar comunicou nesta segunda-feira (11) seu desligamento. Trocas de advogados ou escritórios costumam indicar mudanças de estratégias jurídicas, especialmente sob suspeitas de novas fases da investigação que devem se desenrolar.

“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o Senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”, informa o comunicado, assinado pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.

O senador foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), na última quinta-feira (7). De acordo com as investigações da operação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, Nogueira teria recebido até R$ 500 mil mensais para atuar como ponte entre o Congresso Nacional e os interesses do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no Legislativo.

Dentre os exemplos, está a chamada “emenda Master”, que o senador teria recebido do próprio Master para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Caso fosse aprovada, a medida visava “sextuplicar” os negócios do Master que, na época, oferecia supostos investimentos com rendimentos acima da média. O caso segue em andamento e a defesa da época negou o ocorrido.

Eleições

Antes das investigações da PF, o nome de Ciro Nogueira foi cotado para concorrer à vice-presidência da República na chapa eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o principal adversário político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista, Flávio uma vez comentou que Ciro era seu “vice dos sonhos”, especialmente considerando que ele é o principal articulador da oposição. Contudo, logo após a investigação contra Nogueira, o senador disse em uma entrevista que o nome do presidente do PP foi uma “cortesia”.

“Em questão de vice, é especulação. Em uma entrevista lá atrás, eu comentei mais em termos de cortesia para ele, até porque isso vai acontecer mais pra frente, nas convenções”, disse Flávio, em entrevista à CNN. Agora cabe ao primogênito do clã Bolsonaro escolher outro candidato para ser seu candidato a vice na corrida eleitoral para o Palácio do Planalto.

Para além de Lula e Flávio como candidatos à Presidência, especulava-se a possibilidade do ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) concorrer pela quinta vez ao cargo. Contudo, nesta segunda-feira (11), ele negou a informação e confirmou que, em outubro, disputará novamente o governo do Ceará. O lançamento de sua pré-candidatura ao comando do Palácio da Abolição está previsto para acontecer neste sábado (16).

Ciro inicialmente estava cotado como uma alternativa de presidenciável, ainda que o nome dele não constasse nas pesquisas de intenções de votos, pelo presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), que via no candidato uma alternativa para os eleitores que não queiram votar em Lula e nem em Flávio Bolsonaro.