O governo federal lança, nesta terça-feira (12), o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que promete investir R$ 11 bilhões para enfraquecer o crime organizado, além de novas medidas voltadas para a segurança pública. A cerimônia está agendada para as 10h no Palácio do Planalto.
A expectativa é que sejam publicados um decreto presidencial e quatro portarias para regulamentar o programa. Elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o plano visa desarticular as bases econômicas, operacionais e sociais das organizações criminosas em todo o território nacional que, como tem sido reforçado por representantes do governo e pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não se limita às favelas e comunidades, mas também pretende atingir envolvidos infiltrados no mercado financeiro.
O programa é estruturado em quatro eixos estratégicos: asfixia financeira das organizações criminosas; fortalecimento da segurança no sistema prisional; qualificação da investigação e do esclarecimento de homicídios; e combate ao tráfico de armas e munições.
Do total de R$ 11 bilhões que serão investidos na medida, R$ 1 bilhão será oriundo do Orçamento deste ano e os outros R$ 10 bilhões via empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os estados.
O presidente Lula já tinha falado sobre a criação do programa para combater o crime organizado no final da semana passada, após a reunião que teve com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump (Republicano). Apesar de não terem conversado sobre a possibilidade de os Estados Unidos enquadrarem facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), eles conversaram sobre o crime organizado.
“Criamos uma base na cidade de Manaus com a participação de representantes das polícias de países da América do Sul para combater o crime organizado, o tráfico de armas e drogas na fronteira brasileira. Se os Estados Unidos quiserem participar conosco, estarão convidados. Também precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções. Esta é outra frente de trabalho importante que estamos atuando, e que estamos dispostos a colaborar. E que integra o plano Brasil Contra o Crime Organizado, que vamos lançar”, escreveu o presidente em suas redes sociais.
Crime
O enfoque eleitoral da medida é claro. A segurança pública é hoje a maior preocupação do brasileiro. De acordo com a Pesquisa “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”, divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública neste domingo (10), 41,2% dos brasileiros a partir de 16 anos confirmaram ver a atuação do crime organizado nos bairros em que residem. Isso equivale a 68,7 milhões de pessoas. Os dados são consideravelmente mais elevados que o último relatório do Fórum, divulgado em outubro do ano passado: naquela ocasião, essa sensação da proximidade do crime organizado atingia somente 19% da população.
Além disso, do grupo que confirmou perceber a atuação de milícias e organizações criminosas perto de casa, 34,9% dos entrevistados declararam que os grupos criminosos influenciam muito nas decisões e regras de convivência do bairro ondem moram. Para 26,5% , influenciam moderadamente a região. Já 19% dizem que a presença de grupos criminosos influencia pouco a convivência na região. E 17,7% afirmam que não influenciam a vida no bairro.
Segundo a pesquisa, essa influência se expande para diversas áreas e escolhas diárias da população. 81% dos entrevistados têm medo de ficar no meio de confronto armado, 74,9% evitam frequentar certos lugares, 71,1% têm medo de que um familiar se envolva com o tráfico, 64,4% medo de sofrer represálias ou punições por denunciar crimes e 59,5% evitam falar sobre política, com medo que isso se desencadeie em mais problemas.