Em artigo publicado neste domingo (26) no jornal “The Washington Post”, o presidente Lula citou as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros como uma tentativa de Donald Trump de influenciar as eleições no Brasil em 2026. Lula negou aceitar pressões ideológicas e afirmou que “ninguém vai nos derrotar com mentiras”.
Para o presidente brasileiro, as tarifas de 25% e 12,5% anunciadas pelo governo dos EUA buscam usar as relações econômicas entre os dois países como estratégia para disfarçar interesses políticos.
“Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentira”, disse Lula, no artigo.
Na publicação, o presidente classificou a imposição de tarifas como um “erro estratégico” de Trump, que vai prejudicar a economia dos EUA e a parceria comercial com o Brasil. Lula alertou que, enquanto os EUA fecham seu mrcado ao Brasil, outros países se oferem para ampliar investimentos e firmar parcerias.
“No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros”, argumentou.
Na sexta-feira (24), o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que uma das medidas adotadas pelo governo brasileiro para reduzir o impacto das tarifas é a busca por novos mercados para absorver os produtos brasileiros. A outra é a liberação de um crédito de R$ 18,5 bilhões para setores afetados pelo tarifaço.
O artigo de Lula foi publicado após a negativa do Itamaraty em conceder vistos de entrada a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que viriam ao Brasil para manter “contato com autoridades eleitorais”.
O “The Washington Post” foi o mesmo jornal que revelou que o secretário-adjunto de Estado dos EUA, Riley M. Barnes, e o subsecretário-adjunto, Samuel Samson, tinham a missão de participar de uma campanha de ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao sistema de votação brasileiro.
No artigo, Lula também criticou a postura de Trump com relação a outros países da América Latina, afirmando que as ameaças militares e sanções econômicas não atendem à necessidade da região de “parceiros confiáveis e previsíveis”.
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