Correio da Manhã
CORREIO no mundo

Nicarágua inicia plano de Ortega para acabar com eleições no país

Nicarágua inicia plano de Ortega para acabar com eleições no país
Daniel Ortega consolida publicamente a autocracia da Nicarágua Crédito: Duma.gov.ru via Wikimedia Commons

Três dias após Daniel Ortega afirmar que "não haverá mais eleições" na Nicarágua, a Assembleia Nacional, dominada por apoiadores do ditador, afirmou que "está iniciando as análises necessárias para desenvolver um plano de trabalho que esteja em conformidade com as orientações presidenciais". No domingo (19), durante uma cerimônia de celebração da Revolução Sandinista, Ortega afirmou que não haverá mais pleitos no país para os "partidos políticos criados pelos ianques" ganharem. "Esqueçam! Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo, tomar o poder", disse. A iniciativa dos deputados era esperada — a separação de Poderes no país, regido por Ortega há quase 20 anos, é praticamente de fachada, e medidas como essas normalmente são antecipadas pelo líder em seus discursos e prontamente atendidas pelo Legislativo.

 

Iniciativa vinha sendo prometida há anos

Iniciativa vinha sendo prometida há anos
Eleições no país são consideradas "injustas" desde 2008 Crédito: Dayana Ferraris via Wikimedia Commons

Em 2014, por exemplo, a Assembleia Nacional nicaraguense aprovou uma reforma constitucional que autorizou a reeleição por tempo indefinido no país — algo que, na prática, já havia sido liberado pela Suprema Corte, também aparelhada por Ortega. Mais recentemente, em 2025, outra reforma da Constituição deu à sua mulher e vice, Rosario Murillo, o cargo de copresidente, no que provavelmente é uma estratégia para manter a família de Ortega no poder diante da fragilidade da saúde do líder de 80 anos.

Eleições prévias não foram consideradas justas

As próximas eleições seriam em 2027 após, no pacote dessa última reforma, o mandato presidencial ter sido estendido de cinco para seis anos. O pleito, porém, tampouco seria uma garantia democrática: desde 2008, o V-Dem, instituto considerado referência global em classificação de regimes políticos, considera o país uma autocracia eleitoral. Essa classificação é reservada para aqueles regimes que contam com eleições multipartidárias, mas a votação não é livre nem justa. Na Nicarágua, fraudes eleitorais são denunciadas desde 2008.

Opositores foram presos na última eleição

A última eleição, em 2021, ocorreu após todos os opositores com chances serem presos. Atualmente grande parte dos críticos do regime nem sequer está no país ou tem nacionalidade nicaraguense, uma punição por serem "traidores da pátria". Mesmo assim, a mudança aumentaria a autocratização do país, que levou a manifestações ao redor do mundo.

Por Daniella Arcanjo (Folhapress)

Índia e Paquistão

Ao menos 82 pessoas morreram devido às chuvas de monções e inundações que atingiram a Índia, o Paquistão e o Afeganistão nesta semana, segundo autoridades locais. No estado indiano de Assam, 10 mortes foram registradas nas últimas 24 horas de quinta (23), elevando para 36 o total de vítimas na região, onde equipes de resgate seguem mobilizadas.

Mortos pelas chuvas

O governador de Assam, Himanta Biswa Sarma, afirmou que houve uma "devastação sem precedentes". Chuvas extremamente intensas nas áreas montanhosas, combinadas com precipitações 436% acima da média, provocaram enchentes em vilarejos que, segundo ele, não haviam enfrentado destruição semelhante na história recente.

30 mil desabrigados

Segundo a autoridade estadual de gestão de desastres, cerca de 900 mil pessoas, distribuídas por mais de 1.800 vilarejos, foram afetadas pelas enchentes. As autoridades montaram quase 150 abrigos temporários, que acolhem cerca de 30 mil pessoas. Um relatório do governo estadual atribui os alagamentos às chuvas em Nagaland entre sábado (18) e segunda (20).

Trabalho coletivo

Sarma afirmou que a Força Aérea da Índia, a Força Estadual de Resposta a Desastres e a Força Nacional de Resposta a Desastres trabalham "ininterruptamente" nas operações de resgate. Drones de transporte de carga estão sendo usados para levar ajuda a áreas de difícil acesso, enquanto mais de 50 pequenas embarcações foram mobilizadas para regiões rasas.

Nuristão afetado

As Forças Armadas também lançaram suprimentos de emergência por via aérea em localidades isoladas. Além da Índia, as enchentes deixaram pelo menos 46 mortos e mais de 100 feridos na província de Nuristão, no nordeste do Afeganistão, e na província de Khyber Pakhtunkhwa, no Paquistão, nas últimas 72 horas, segundo autoridades dos dois países.

Países vulneráveis

"As enchentes arrastaram casas e hotéis. Tudo foi destruído. A devastação é total. Máquinas estão sendo usadas para resgatar as pessoas que ainda estão presas", disse à Reuters Mujib ur Rahman, morador da capital provincial de Nuristão. Afeganistão e Paquistão estão entre os países mais vulneráveis às mudanças climáticas do mundo.