Correio da Manhã
Política

Governo nega visto a funcionários de Trump por suspeita de ataques ao TSE

Representantes do governo Trump viriam ao Brasil para encontros com "autoridades eleitorais"; objetivo era levantar questionamentos antes das eleições

Governo nega visto a funcionários de Trump por suspeita de ataques ao TSE
Presidente dos EUA, Donald Trump enviou representantes ao Brasil para desacreditar sistema de votação Crédito: Molly Riley/The White House

O governo Lula negou visto de entrada no Brasil a dois representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos por suspeita de que os funcionários de Donald Trump tinham a intenção de participar de ataques contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para o Planalto, os norte-americanos se juntariam à ofensiva de Flávio Bolsonaro (PL) contra o sistema de votação brasileiro, iniciada em um encontro com diplomatas e autoridades estrangeiras na quarta-feira (22).

O secretário-adjunto de Estado dos EUA, Riley M. Barnes, e o subsecretário-adjunto, Samuel Samson, informaram o governo brasileiro sobre a visita no dia 20 de julho. O objetivo anunciado foi o de manter contatos com “autoridades eleitorais” no país.

No final da semana, o Departamento de Estado dos EUA foi comunicado de que os vistos seriam negados. De acordo com informações do UOL, a avaliação do governo foi de que a visita estaria relacionada à suposta campanha iniciada por Flávio Bolsonaro para desacreditar o processo eleitoral.

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Flávio Bolsonaro repetiu informação falsa sobre urnas eletrônicas a diplomatas estrangeiros | Foto: Divulgação/Raul Spinassé

O propósito da visita dos representantes do governo Trump também foi destacado pelo jornal The Washington Post. A publicação afirmou que os dois funcionários do Departamento de Estado viriam ao Brasil para levantar questionamentos sobre o sistema de votação antes das eleições de outubro. A suspeita do governo brasileiro é que os norte-americanos tinham a missão de produzir um relatório com falsas acusações sobre as urnas eletrônicas e a Justiça Eleitoral.

Urnas eletrônicas

Na reunião com embaixadores, em Brasília, o candidato do PL à Presidência citou um suposto relatório da CIA dando conta de que urnas eletrônicas usadas nas eleições no Brasil haviam sido fabricadas pela empresa Smartmatic, a mesma responsável pelos equipamentos usados na Venezuela, onde as eleições teriam sido fraudadas.

“Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, uma das suspeitas é que tenha havido uma programação para alteração das votações naquele país nas eleições de 2010. [...] Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, disse o senador.

“Há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação”, afirmou Flávio Bolsonaro.

As afirmações do senador foram desmentidas pelo TSE ainda em 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro fez as primeiras declarações sobre o assunto. “São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, afirmou o TSE.