Tem uma pulga atrás da orelha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e especialmente dos filhos Flávio, que está pré-candidato a presidente da República pelo PL, o foragido Eduardo Bolsonaro e o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, que agora busca vaga no Congresso por Santa Catarina.
Eles se perguntam onde quer chegar o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Têm dúvidas se há uma operação articulada com a ex-primeira dama Michele Bolsonaro contra a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto.
André Mendonça conseguiu a vaga no STF graças ao esforço pessoal de Michele contra o centrão, contra o então presidente da Comissão de Constituição Justiça (CCJ) do Senado, que era o Davi Alcolumbre (União-AP), e contra o corpo mole dos filhos de Bolsonaro. É com Michelle que o ministro se sente verdadeiramente compromissado.
Quando ele assumiu a relatoria do escândalo do Banco Master no STF, esperava-se que seus primeiros gestos viessem contra o governo Lula, que é o adversário de Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro. Mas não. Vieram contra aliados de Bolsonaro, o centrão e o próprio candidato do PL.
Mendonça começou por não aceitar a proposta de delação premiada apresentada pelo dono do banco, Daniel Vorcaro. Estava arrumadinha para não dizer nada contra a turma do Bolsonaro.
Depois a PF, na prática subordinada neste inquérito a Mendonça, pega o ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do União Brasil, que tentatava formalizar apoio a Flávio Bolsonaro.
Divulgou-se que Ciro receberia de Daniel Vorcaro entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês do banqueiro. E que ele apresentou ao Congresso como seu um projeto elevando para R$ 1 milhão o seguro do Fundo Garantidor de Crédito. Um rombo no mercado que beneficiaria o banco Master. Segundo a PF, o projeto foi escrito pela equipe de Vorcaro.
Pois bem, com isso, além de atingir Ciro, a PF e André Mendonça levantaram a lebre de que a resistência de Davi Alcolumbre a aprovar a nomeação para o STF do advogado-geral da União, Jorge Messias, era mera pressão para abafar investigações contra políticos. Quem mais trabalhou pela derrota de Messias foi Alcolumbre.
E agora é vazada essa gravação do pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para o Daniel Vorcaro. Seriam cerca de R$ 134 milhões para, segundo o candidato, financiar um filme sobre seu pai. Os R$ 134 milhões são mais do que a soma de algumas das maiores bilheterias dos últimos tempos no país.
"Cidade de Deus" (R$ 8,2 milhões); "Tropa de Elite 1" (R$ 10,5 milhões); "Tropa de Elite 2" (R$ 16 milhões) "Ainda Estou Aqui" ( R$ 45 milhões); "O Agente Secreto" (R$ 28 milhões), juntos, custaram R$ 107,7 milhões
Muita gente do mercado financeiro que apoiava Bolsonaro e até alguns que ainda apostam no bolsonarismo entendem que essa gravação marca um ponto final na candidatura de Flávio Bolsonaro.
Agora só restaria um nome na família que poderia substituí-lo. Trata-se da ex-primeira-dama Michele Bolsonaro, que nos últimos tempos tem feito o papel de esposa perfeita do ex-presidente.
Ela sempre foi a candidata predileta do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Mas Bolsonaro e seus filhos nunca a quiseram como candidata. E andam desconfiados da atuação de Mendonça à frente do inquérito ter beneficiado tanto a primeira-dama.