Correio da Manhã
Tales Faria

Agora é Lula quem aposta no caso Master contra a oposição

Agora é Lula quem aposta no 
caso Master contra a oposição

Quando apareceu o escândalo envolvendo o banco Master, a oposição saiu ganhando e o governo ficou nas cordas. Oposicionistas e parte do centrão logo transformaram o caso no principal tema da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS e da CPI da Corrupção. As comissões não deram em nada, mas fizeram barulho.

Os institutos de pesquisa detectaram perda de pontos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) junto ao eleitorado. Especialistas afirmam que, normalmente, mesmo que outros grupos estejam envolvidos, a opinião pública relaciona esse tipo de escândalo aos governantes de plantão. Sobrou para Lula.

Mas as equipes de comunicação do governo e pela reeleição presidente apostavam que o tempo jogava contra a oposição e seus aliados, sobretudo no centrão, pois é nesse campo que o dono do Master, Daniel Vorcaro, tinha mais ligações.

Já era sabido em Brasília que Ciro Nogueira é um dos maiores amigos de Vorcaro entre os políticos. Senador pelo Piauí e presidente nacional do PP, Ciro chegou a apresentar ao Congresso, segundo a Polícia Federal, um projeto que teria sido preparado por Vorcaro para beneficiar seu banco com uso de recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A PF afirma que ele recebia uma espécie de mesada de Vorcaro, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao mês. Mas o senador nega. Sua defesa diz que se tratava de um contrato legal.

E não é só Ciro que está na mira da campanha governista. Filmetes estão sendo preparados ligando a Vorcaro o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Netoe o governador de São Paulo, Tarcísio Vieira (Republicanos), o ex-governador de Brasília Ibaneis Rocha e até o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho senador, Flávio Bolsonaro, que é candidato a presidente da República pelo PL. A aposta dos governistas é de que o celular de Vorcaro e as prováveis delações premiadas que ainda virão deverão trazer mais implicados.

A oposição já detectou essa movimentação dos governistas e prepara peças de defesa. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcanti (RJ), tem em mãos um levantamento das votações mostrando que o PP e o União Brasil, na verdade, não seriam tão aliados assim da oposição.

Pelo levantamento de Sóstenes, o PP apoiou o governo Lula na votação de 69,6% dos projetos colocados em pauta no plenário da Câmara neste ano. O União Brasil votou com o governo em 61,9% das vezes. "O Progressistas é da base do governo Lula. Tem até ministério", disse Sóstenes à coluna.

Os dois partidos formam a maior federação partidária do país, chamada União Progressista, que na verdade funciona como núcleo do centrão. O PL vinha tentando se aproximar do centrão, cujos parlamentares na região Nordeste do país se dividem entre o apoio a Lula e a Flávio Bolsonaro. Chegou-se a especular o nome de Ciro Nogueira como vice da chapa de Flávio, mas agora os bolsonaristas querem distância.

Distância de Ciro e daqueles que vierem a ser arrolados no escândalo. Mas o PL não abre mão dos votos do centrão. Como obter os votos e manter distância é uma equação difícil de solucionar.