A 5ª fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta quinta-feira, 7, abriu caminho para a solução do impasse em que se enfiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o mandatário do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), desde a derrubada da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Alcolumbre saiu da votação como quem levou a nocaute o chefe do poder Executivo. Com uma postura mais ou menos assim: agora Lula só pode apresentar um novo ministro para o STF se este for indicado pelo presidente do Senado.
Lula tem muito apreço por suas prerrogativas como presidente da República. Sabe que há toda uma carga simbólica sobre seus gestos no cargo. Se entregar a um senador o poder de decidir quem pode e quem não pode ser ministro da Suprema Corte, outros virão tomar mais uma fatia do poder. Em pouco tempo, ele será um pato manco no Palácio. Então estava num impasse: não poderia se dobrar a Alcolumbre, mas também não poderia indicar outro nome que venha a ser derrubado.
Mas eis que o ministro André Mendonça deflagrou essa nova operação da Polícia Federal em busca de envolvidos nas supostas fraudes do banco Master. Pois é, foi o bolsonarista André Mendonça, quem deu a ordem. Ele, que assumiu a relatoria do caso no STF em substituição ao ministro Alexandre de Moraes e que agora comanda as investigações da Polícia Federal.
Não dá para dizerem que se trata de alguma perseguição articulada por baixo dos panos pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a mando do presidente da República. E a operação se voltou contra um dos comandantes do centrão no Congresso, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), amigo e aliado de Alcolumbre, e também um dos que articularam a derrubada de Jorge Messias na semana passada.
Ciro é acusado de receber mesada do dono do Máster, Daniel Vorcaro, e de ter apresentado uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) elaborada por assessores do banqueiro preso.
Se André Mendonça atirou em Ciro, por que ele pouparia Alcolumbre? Vale lembrar que, quando presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Alcolumbre segurou por quatro meses a sabatina de Mendonça ameaçando derrubá-lo.
E o presidente do Senado sabe dos problemas que tem. Em fevereiro, Jocildo Lemos, indicado por ele como diretor-presidente da Amapá Previdência (Amprev), se viu obrigado a pedir exoneração do cargo porque foi alvo da Operação Zona Cinzenta, que investiga investimentos de R$ 400 milhões da autarquia estadual em letras financeiras podres do Banco Master.
Se na semana passada Alcolumbre colocou Lula contra a parede, agora é ele quem entra na linha de tiro sem a força de antes para impor constrangimentos ao presidente da República. Mendonça abriu um caminho de saída para o impasse na indicação do futuro ministro.
Lula não precisa mais engolir um nome escolhido por Alcolumbre, basta não bater de frente que o presidente do Senado também não poderá atrapalhar.
Que tal uma mulher, negra com notório saber jurídico e reputação ilibada?