Correio da Manhã
Tales Faria

Kassio e Mendonça assumem país perto do modelo Pablo Escobar

Os dois assumem num momento em que o Brasil resvalou no modelo colombiano de tomada dos altos escalões pelo crime organizado

Kassio e Mendonça assumem país perto do modelo Pablo Escobar
Kassio Nunes Marques e André Mendonça Crédito: STF

Os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça assumem na quarta-feira, 13, o comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Kassio, como presidente e Mendonça, como vice. Ambos foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que pressupõe uma mudança de ares na Corte, até então controlada por antibolsonaristas.

O principal tema desse início de gestão será o teste das urnas eletrônicas, tão criticadas pelos bolsonaristas e que serviram de motivo da tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro de 2023.

Outra questão importante na semana é que, na quarta-feira, sai nova pesquisa presidencial Genial-Quaest. Bastou uma semana e o jogo parece ter virado na política brasileira em relação à semana anterioor. Vale ver se a pesquisa confirma essa expectativa.

Duplamente derrotado com a derrubada, no Senado, da indicação ao Supremo Tribunal Federa (STF) do advogado-geral da União, Jorge Mendonça, e pela derrota do veto ao projeto de dosimetria, na Câmara, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) renasce das cinzas após o bem-sucedido encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada,

Lula também se beneficiou da operação em que o ministro André Mendonça vingou o advogado-geral da União, Jorge Messias, revelando que por trás da derrota do indicado, no Senado, e do projeto, na Câmara, de nova dosimetria para os condenados pela tentativa de golpe de janeiro de 2023, havia uma acordo para abafar o escândalo do Banco Master. Isso desagradou aos bolsonaristas, que apadrinharam Mendonça.

O problema é que ficou claro que o Banco Master, que tinha ligações com o crime organizado, conseguiu se infiltrar em todas as instâncias do poder em Brasília. Tinha braços na política, especialmente no comando dos dois principais partidos (PP e União Brasil) que dominam o maior conglomerado do Congresso, o centrão, mas não só nesses partidos. Ramificava-se pelo PL e pelo PT, pelo MDB, Republicanos, enfim, quase todos.

Também estava infiltrado no governo federal, não só via integrantes do centrão na Esplanada, mas através do PT da Bahia (ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, encontro com Lula, etc.).

Além, disso, Daniel Vorcaro, dono do banco, tinha relações com sabe-se lá quantos ministros do STF. Dois são certos: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Mas há desconfianças sobre outros, podendo chegar a cinco ministros. Quase a maioria dos 11 integrantes da Corte suprema do país.

Mais. Além da penetração nos três poderes da República, o Master também se infiltrou no chamado Quarto Poder. Vinha aumentando seu esquema na mídia, não só pela forte influência nos chamados blogs sujos, como também os blogs não tão sujos assim e alguns jornalistas da grande imprensa. Também promovia eventos intelectuais-comerciais com grandes veículos.

Ainda há suspeitas do envolvimento do banco com o PCC. O que significa que a política brasileira resvalou no modelo colombiano de tomada dos altos escalões pelo crime organizado. Pablo Escobar poderia ter ressuscitado por aqui.