A divulgação do pedido de dinheiro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao dono do banco Master, Daniel Vorcaro, já produz uma rachadura no PL. Começam a surgir vozes no partido em defesa da substituição do senador como candidato a presidente da República.
O áudio foi divulgado pelo site Intercept Brasil, que afirma constar do aparelho celular de Vorcaro apreendido pela Polícia Federal. Revela pressões de Flávio para receber pagamentos para a produção de um filme com a biografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O senador confirmou o pedido, mas nega irregularidades. Diz que se trata de um filme feito com recursos privados, que já estaria até pronto. Segundo o Intercept Brasil, o banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é o nome mais citado nas conversas reservadas dentro do PL para substituir Flávio. Mas o senador está absolutamente resistente à ideia, assim como seus irmãos Eduardo e Carlos e, principalmente, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio chegou a gravar um vídeo em que dá sua versão para a gravação. Segundo ele, "nada mais é do que um filho procurando investidores privados para fazer um filme privado sobre a história do seu próprio pai".
A cúpula de sua campanha e do partido passou nesta quarta-feira, 13, em "estado permanente de reunião" discutindo tentativas de solução para o problema. Segundo um integrante do partido, ninguém se habilitou a colocar "o guizo no pescoço do gato", tal o nervosismo com que Flávio e o clã reagia a qualquer insinuação. Mas todos sabiam que o que está em jogo é a permanência da candidatura.
Entre aliados mais próximos e integrantes do partido que não são da família, o único nome cotado para o lugar de Flávio é o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Na verdade, ela sempre foi a candidata predileta do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Michelle atualmente é pré-candidata ao Senado por Brasília. Presidente do PL-Mulher, ela é também a preferida da ala feminina da sigla.
Não há outro nome no partido considerado em condições de ser ungido candidato e de fato enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tivesse se desincompatibilizado do cargo, seria uma opção, dizem os bolsonaristas, embora desfalcasse a disputa no maior colégio eleitoral do país, que é São Paulo.
O temor dentro do partido é de que, se a candidatura de Flávio Bolsonaro se tornar inviável, seu pai tente forçar o nome de Carlso Bolsonaro. A avaliação entre os bolsonaristas é de que Carlos não teria a menor chance, mas é sabido que o ex-presidente não gosta da ideia de que sua mulher, Michelle, se torne a sua grande herdeira política.