A 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), está sendo entendida no Congresso como uma resposta do ministro à derrubada da indicação para o STF de seu amigo, o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Mendonça estaria querendo mostrar que Messias foi vítima de uma grande tentativa da cúpula do centrão – comandada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União AP) – de evitar as investigações sobre o envolvimento do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com políticos de peso em Brasília.
Entre os membros da cúpula do centrão interessados em evitar as investigações, estaria o próprio presidente do Senado e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de mandado de busca e apreensão expedido por André Mendonça a pedido da Polícia Federal.
A Assessoria de Alcolumbre chegou a informar pela manhã à Globo News que o presidente do Senado sequer havia sido informado pela PF da operação contra o senador da República. Depois, a equipe da TV divulgou que o diretor-geral da PFF, Andrei Rodrigues afirmou ter sim informado da Alcolumbre, ele mesmo por telefone no início da manhã.
Alcolumbre e Mendonça cultivam uma má relação desde que o ministro foi indicado para o STF, ainda no governo da Jair Bolsonaro, e o hoje presidente do Senado – na época era presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – atrasou sua sabatina.
Com um agravante: há rumores no Congress de que a Polícia Federal persegue informações contra aliados do presidente do Senado. Em fevereiro, Jocildo Lemos, diretor-presidente da Amprev (Amapá Previdência) indicado por Alcolumbre, se viu obrigado a pedir exoneração do cargo após a deflagração da Operação Zona Cinzenta, que investiga investimentos de R$ 400 milhões da autarquia em letras financeiras do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025.
A PF não admite qualquer ligação entre esta 5ª fase da Operação Compliance e a derrubada da indicação de Messias. Admite-se até, reservadamente, que a operação tenha ocorrido neste momento mais em função da divulgação dos anexos da proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro.
Havia certo temor de que, com a quebra do sigilo sobre os anexos, envolvidos nas supostas fraudes acabassem se prevenindo. Dentro dessa lógica, são esperadas novas ordens de busca e apreensão proximamente.
Segundo o líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS) o Congresso precisa dar alguma demonstração de que não há um “acordão para abafar as investigações”.
Ele declarou:
“O Congresso Nacional precisa dar uma resposta ao Brasil: não pode haver qualquer suspeita de acordão para abafar as investigações do Banco Master. É hora de instalar a CPMI no Congresso e a CPI na Câmara. A sociedade brasileira merece transparência, apuração rigorosa e responsabilização diante de denúncias tão graves.”
Pimenta afirma que a “nova operação mostra a intimidade do coração do governo Bolsonaro no esquema do BolsoMaster”. Segundo ele, o governo Bolsonaro se envolveu com o Banco Master em várias instâncias, como “no Banco Central, Fazenda, Casa Civil, Previdência e INSS, junto com o gabinete do Presidente operadores da fraude do INSS”.
Os bolsonaristas no Congresso ficaram surpresos com a operação contra um aliado do centrão. Para eles, a atuação do ministro André Mendonça acabou fortalecendo este tipo de discurso de Paulo Pimenta.