O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não compareceu à sessão desta terça-feira, 5, da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para a qual havia sido convidado. Segundo a CAE, Galípolo argumentou, para sua ausência, que está doente, mas ele enviou um documento que havia prometido na sessão de novembro, quando depôs na Comissão.
Trata-se do "Termo de compromisso", assinado pelo ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto em 2 junho de 2025, pelo qual, mediante o pagamento de uma multa de R$ 300 mil, ele se livrou de todas as acusações de ter participado, quando diretor do Banco Santander, de supostas práticas de ilegalidade em operações cambiais investigadas em um "processo administrativo sancionador" de número 173611. Em 10 de julho o Banco Central afirmou ter recebido o tal pagamento de Campos Neto e declarou "extinta a punibilidade".
A coluna teve acesso ao "Termo de compromisso" e ao processo sancionador que apontou, nas suas "descrições das ocorrências", supostas irregularidades nos documentos "de qualificação de 51 pessoas jurídicas" que contrataram US$ 255 milhões em operações de câmbio no Banco Santander. O processo também apontou que "o Santander deixou de verificar a legalidade de um conjunto de operações de câmbio, no montante de US$ 83 milhões". Total: US$ 338 milhões.
Mas o Banco Central lembra que o Termo de Compromisso "não importa confissão quanto à matéria de fato, nem reconhecimento da ilicitude da conduta analisada nos autos" e declara "a extinção da punibilidade e arquivamentos do processo, em relação a Roberto Campos Neto". O Comitê de Decisão do Processo Administrativo Sancionador (Copas) era presidido pelo diretor do Banco Central Ailton de Aquino Santos, que foi quem assinou o arquivamento do processo.
Galípolo levou mais de cinco meses para enviar à CAE o tal "Termo de compromisso" que já estava há tempos nos arquivos do Banco Central. Seu não comparecimento ontem na comissão irritou os senadores num momento em que há um completo mal-estar, digamos assim, na relação entre o Senado e o governo por causa da derrubada da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde a derrubada de indicação, clima entre o Senado e o governo é de desconfiança generalizada. Parte do governo e do PT avalia que o caso Master está por trás das dificuldades com o Congresso. Não haveria interesse do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União AP), e da cúpula do centrão de investigar as irregularidades cometidas pelo dono do banco, Daniel Vorcaro, e por isso os senadores resolveram derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pressionando-o contra a parede.
Mas, segundo avaliação do Palácio do Planalto, o comparecimento de Galípolo na CAE do Senado, neste momento, serviria apenas para colocar um membro do governo na berlinda, alimentando UM noticiário noticiário negativo. O presidente do Banco Central, por sua vez, compartilha da opinão do Palácio e acha que acabaria figurando como bode expiatório num momento de crise.