A pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição presidencial em dez estados brasileiros, que foi divulgada nesta quarta-feira, 6, revelou uma certa estabilização do quadro de polarização entre os dois primeiros colocados na intenção de votos dos eleitores – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na série histórica apresentada, o quadro de polarização da pesquisa atual comparado ao do 2º turno de 2022 mostrou que Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo, Pará, Minas Gerais, Goiás, Ceará e Bahia tiveram resultados semelhantes, com diferenças de cerca de um ponto a três pontos percentuais na grande maioria dos casos. Em Pernambuco houve uma diferença de quatro pontos pró-Lula e, no Rio Grande do Sul, nove pontos percentuais pró-Flávio Bolsonaro.
Esses dados são semelhantes nos levantamentos de todos os institutos. Fazem com que cabos eleitorais de peso dos dois lados, e até alguns analistas políticos, acreditem que a polarização cristalizada levará parte do eleitorado a escolher, na véspera da votação, um dos dois primeiros colocados, o que aumentaria a possibilidade de a eleição acabar definida em um turno.
Raciocinam assim: Já que o eleitorado está praticamente dividido meio a meio, basta que um dos dois candidatos ultrapassasse um pouco mais da metade dos votos válidos no 1º turno e teremos a vitória antecipada.
Não é um raciocínio a princípio errado. Mas, nessas horas, vale a pena consultar um especialista. A coluna foi atrás do cientista político Felipe Nunes, sócio fundador do próprio instituto Quaest, que realizou o levantamento nos estados entre os dias 21 e 28 de abril.
Felipe Nunes disse que, diferentemente do que possa parecer, no quadro atual (afinal, pesquisas de opinião são apenas um retrato do momento) “são pequenas as chances” de a eleição presidencial no Brasil terminar no 1º turno.
Por quê? Ele explica:
“Principalmente por dois motivos: a) só o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu em 1º turno; b) O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) ainda vai crescer, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) tem espaço para crescer e o pré-candidato do partido Missão, Renan Santos, tem crescido. Sem contar os outros nomes que acabam levando votos. Tudo isso somado, não deve deixar que um dos dois tenha mais de 50%.”
A coluna conclui, então, que os que estão na ponta – Lula e Flávio Bolsonaro – devem abandonar a esperança de que a polarização os faça vencer em 1º turno? E devem cuidar para não serem ultrapassados pelos retardatários?
“Não é bem isso”, disse Felipe Nunes, argumentando: “Só não acho que estejamos em um cenário de ultrapassagem. Não considero provável que um dos dois da ponta tenha mais de 50% com tantos nomes apresentados e em disputa.”
E esse quadro não pode mudar? Segundo ele, não é o que aparentam as pesquisas:
“Para que haja uma mudança do cenário atual de polarização, o eleitor de um dos polos teria que desertar de sua atual opção de voto para escolher outro nome. Por enquanto, não há sinais nas pesquisas de que isso esteja acontecendo. Pode acontecer, claro, mas não é provável no cenário de hoje.”
Por: Tales Faria
Polarização para presidente não deve resultar em vitória no 1º Turno