Correio da Manhã
Política

PF quer saber se dinheiro de Vorcaro bancou Eduardo Bolsonaro nos EUA

Investigação da PF sobre financiamento de "Dark Horse" vai mostrar se dinheiro de Daniel Vorcaro foi enviado para Eduardo Bolsonaro

PF quer saber se dinheiro de Vorcaro bancou Eduardo Bolsonaro nos EUA
Nos EUA desde 2025, Eduardo Bolsonaro será demitido da PF por abandono de cargo Crédito: Reprodução/Redes sociais

A Polícia Federal (PF) vai investigar se parte dos R$ 61 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para o filme “Dark Horse” foi usado para bancar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A linha de investigação será seguida a partir da abertura do inquérito, nesta quinta-feira (23), para apurar os repasses para o filme, com aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Sem mandato desde dezembro e com bens bloqueados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, Eduardo Bolsonaro mora nos EUA desde fevereiro de 2025. A suspeita é de que sua permanência no país possa ter sido financiada com recursos de Vorcaro, uma vez que a fonte de renda do ex-deputado no exterior é desconhecida.

Na segunda-feira (20), dois dias antes da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros entrar em vigor, o governo dos EUA concedeu visto de residência permanente para Eduardo Bolsonaro. Com o Green Card, o ex-deputado poderá trabalhar e morar no país por tempo indeterminado.

Na terça-feira (21), a PF anunciou a demissão de Eduardo do cargo de escrivão por abandono de trabalho. Ele deveria ter voltado a exercer funções após perder o mandato parlamentar, em dezembro, o que não aconteceu.

Negociação com Vorcaro

Em mensagens e encontros com Vorcaro, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) negociou um repasse de R$ 134 milhões do banqueiro, supostamente para financiar o longa. Em proposta de delação apresentada à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), Vorcaro admitiu ter enviado R$ 61 milhões para “Dark Horse” por intermédio do publicitário Thiago Miranda.

Em maio, Flávio Bolsonaro justificou os contatos alegando que os atrasos no pagamento colocavam em risco a conclusão de “Dark Horse”.

“No final de 2025, foi aquele áudio que todos ouviram em que eu peço uma luz para saber, uma palavra final, sobre o que é que vai acontecer, porque o filme já estava num grande risco do filme ser encerrado, inclusive, seria uma grande catástrofe. E, no dia seguinte, ele foi preso”, disse o senador.

“Nesse momento é que nós vimos ali que deu uma virada de chave. Nós entendemos melhor que a situação era muito mais grave, e, em função disso, [...] eu estive com ele mais uma vez após esse evento, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e não podia ser na cidade de São Paulo. Então, foi uma grande dificuldade, nesse momento, arrumar outros investidores que pudessem concluir esse filme”, afirmou Flávio Bolsonaro.

Emendas parlamentares

A investigação também deverá se concentrar na aplicação do dinheiro de Vorcaro na produção de “Dark Horse”. Com as notas fiscais apresentadas pelos responsáveis pelo filme, a PF poderá confirmar se as despesas informadas realmente aconteceram.

Outro ponto que será esclarecido é a suspeita de que recursos de emendas parlamentares indicadas para entidades ligadas aos produtores do filme tenham sido desviados para o longa.