Correio da Manhã
Daniel Vorcaro

PF diz que Vorcaro foi avisado sobre operação e tentou fugir do país

Decisão de André Mendonça afirma que empresário foi avisado com antecedência por estrutura de "contrainteligência armada" e acionou rede de contatos

PF diz que Vorcaro foi avisado sobre operação e tentou fugir do país
Segunda proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro foi rejeitada pela PF Crédito: Reprodução/Redes sociais

A Polícia Federal (PF) afirmou ao STF que o empresário Daniel Vorcaro teve conhecimento antecipado da operação que seria deflagrada contra ele em novembro de 2025 e tentou deixar o Brasil um dia antes da ação policial. Segundo a corporação, o controlador do Banco Master só não conseguiu fugir porque acabou preso preventivamente no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando estava prestes a embarcar em um voo internacional.

A informação consta na decisão do ministro André Mendonça que autorizou mandados de busca e apreensão contra o empresário Thiago Miranda Silva, apontado como um dos articuladores do chamado "Projeto DV". Ao reproduzir os argumentos da PF, o ministro afirma que a análise do material apreendido nas fases anteriores da Operação Compliance Zero revelou que Vorcaro teria estruturado "verdadeira organização criminosa".

Foi justamente graças à atuação desse núcleo, segundo a Polícia Federal, que Vorcaro teria tomado conhecimento da operação antes de sua deflagração. A decisão afirma que o empresário "chegou a tomar ciência prévia da operação policial deflagrada no dia 18/11/2025, acionando previamente a sua rede de contatos para mitigar seus efeitos, e empreender tentativa de fuga no dia 17/11/2025". A tentativa, porém, foi frustrada com o cumprimento da prisão preventiva no aeroporto de Guarulhos.

Segundo a decisão, a investigação aponta que o grupo possuía "um braço armado do grupo criminoso, especializado em atos de intimidação, coação e obtenção de dados sigilosos", que atuaria "por meio da cooptação e corrupção de policiais, inclusive federais". Ainda de acordo com a PF, essa estrutura funcionava como uma espécie de "contrainteligência armada", capaz de antecipar movimentações das autoridades.

A nova decisão de André Mendonça autorizou buscas contra Thiago Miranda porque, segundo a PF, surgiram indícios de que ele integrava o núcleo responsável por ações de manipulação da opinião pública, intimidação de jornalistas e obtenção de dados sigilosos para proteger os interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master.