Política

Nova fase de operação da PF sobre Master prende pai de Vorcaro

Henrique Vorcaro manteve repasses de R$ 400 mil para "A Turma", grupo de intimidação a alvos

Nova fase de operação da PF sobre Master prende pai de Vorcaro
Henrique Vorcaro é acusado de liderar "A Turma" Crédito: Reprodução/redes sociais

Mais um membro da família do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, virou alvo da investigação acerca do rombo de R$ 52 bilhões que a instituição financeira deixou no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Após a prisão do cunhado Fabiano Zettel (detido em 4 de março) e do primo Felipe Cançado Vorcaro (em 7 de maio), desta vez o detido foi o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, que foi alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (14) por determinação monocrática do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. A prisão do pai do dono do Master reforça a pressão para um possível acordo de delação premiada entre Daniel Vorcaro e o banco Master.

Ele é acusado de liderar uma suposta milícia pessoal, denominada de "A Turma", que atuava como um núcleo operacional ao esquema criminoso do banco que era responsável pelas práticas de “ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais”.

O documento ainda aponta que Henrique tinha “o papel de destinador de recursos para o financiamento da ‘Turma’, sendo o valor de R$ 400 mil compatível com a quantia que, segundo as investigações, era destinada mensalmente à manutenção do grupo”.

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que é citado nas investigações, aponta que as empresas ligadas à família Vorcaro (em especial a Multiplar da qual Henrique é presidente), movimentaram R$ 1 bilhão em transações consideradas atípicas entre contas relacionadas ao ecossistema do banco. Em outras palavras, a movimentação financeira, era para esconder patrimônio e sonegar a receita.

Própria PF

Além do pai de Daniel Vorcaro, também integravam “A Turma” agentes da própria PF. São eles: os policiais federais aposentados Marilson Roseno da Silva e Sebastião Monteiro Júnior e o policial federal em atividade Anderson Wander da Silva Lima. Também atuava Manoel Mendes Rodrigues, “apresentado como ‘empresário do jogo’ no Estado do Rio de Janeiro e líder de um braço local do grupo, composto por pessoas ainda não identificada”, ou seja, ligado à milícia e ao jogo do bicho no Rio de Janeiro.

Ainda segundo as investigações das autoridades, foi identificado outro núcleo operacionais para o esquema, batizado de “Os Meninos”, que seria voltado para ações tecnológicas “e seria vocacionado à prática de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal”. À época dos fatos, ambos os grupos eram gerenciados por Felipe Mourão, o braço direito de Daniel Vorcaro conhecido como “Sicário”, e tinham o objetivo de “atender comandos emanados do núcleo central da organização criminosa”.

Alvos

Para além dos familiares de Daniel Vorcaro, outras autoridades já foram alvo das fases anteriores da operação. Dentre eles, estão o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, preso em 16 de abril acusado de aceitar R$ 146,5 milhões em imóveis como propina para articular para que o BRB comprasse o Master, o que não aconteceu. Atualmente, ele está detido no 19ª Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), conhecido como Papudinha.

Além de Costa, outro alvo foi o senador e presidente do Partido Progressistas Ciro Nogueira (PI), acusado de receber uma mesada de até R$ 500 mil do banqueiro para garantir que o Congresso Nacional aprovasse matérias de interesses do banco, como foi o caso da chamada “Emenda Master” que ampliava a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Se aprovada, a medida visava “sextuplicar” os negócios do Master que, na época, oferecia supostos investimentos com rendimentos acima da média.