O Governo do Estado de São Paulo anunciou que deve publicar nos próximos dias um chamamento público para a contratação de 2.760 procedimentos mensais, entre cirurgias, internações e leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), na região de Campinas. A medida foi informada pela Secretaria de Estado da Saúde e prevê investimento mensal de R$ 4,2 milhões. De acordo com a nota enviada nesta sexta-feira (13) ao Correio da Manhã, a medida visa reforçar a capacidade assistencial de Campinas e região.
O anúncio ocorre em meio a um cenário de forte pressão sobre os hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas, que nas últimas semanas têm registrado superlotação, restrições de atendimento e suspensão de procedimentos em algumas unidades.
Segundo o governo estadual, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas acompanha de forma contínua a regulação de pacientes para assegurar o atendimento das demandas da região nos serviços conveniados ao SUS. O Estado informou ainda que está em fase final a contratação de dez novos leitos de UTI no município de Pedreira, o que deve ampliar a oferta de vagas para pacientes que necessitam de cuidados intensivos.
A Secretaria de Estado da Saúde também afirmou que mantém diálogo permanente com a Prefeitura de Campinas para ampliar a oferta de leitos e serviços na região. Segundo a pasta, o projeto do Hospital Estadual de Campinas está em fase final de preparação e a publicação da licitação para a construção da nova unidade deve ocorrer nos próximos dias.
A situação da rede hospitalar na cidade se agravou nas últimas semanas. Levantamento recente aponta que o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp opera com 394% de ocupação na Unidade de Emergência Referenciada (UER) adulto, o que provoca sobrecarga na estrutura física da unidade, além de pressão sobre equipamentos e equipes de saúde.
Já o Hospital PUC-Campinas, que também atende pacientes do SUS, informou que o pronto-socorro chegou a registrar 365% de ocupação, com pacientes aguardando atendimento em macas nos corredores. Diante do cenário, a instituição suspendeu por tempo indeterminado as cirurgias eletivas e afirmou não ter condições de receber novos encaminhamentos do sistema público até que a situação da rede seja estabilizada.
Na rede municipal, os hospitais Mário Gatti e Ouro Verde, que integram a Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar, operam com taxas de ocupação entre 93% e 100% dos leitos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
O quadro se agravou após o fechamento temporário da UTI adulto do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti para novas internações, após a identificação de pacientes colonizados por uma bactéria multirresistente conhecida como KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase). A medida faz parte do protocolo de controle de infecção hospitalar e busca evitar a disseminação do microrganismo dentro da unidade.
Com a UTI sem receber novos pacientes durante o período de controle sanitário, casos que necessitam de terapia intensiva passaram a ser direcionados para outras unidades da rede municipal ou para hospitais da região por meio da central de regulação.
Diante do cenário, o prefeito de Campinas, Dário Saadi, solicitou reunião com o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, para discutir medidas emergenciais e pedir urgência na ampliação de leitos hospitalares.
Paralelamente às medidas anunciadas pelo governo estadual, também avança o projeto do futuro Hospital Metropolitano de Campinas, que deverá ampliar a capacidade de atendimento regional quando estiver concluído.
O hospital será construído em uma área de cerca de 35 mil metros quadrados no bairro Parque Itália, terreno que foi doado pela Prefeitura ao Estado após aprovação de lei municipal. A unidade deverá atender cerca de 4,6 milhões de moradores da região e terá investimento estimado em aproximadamente R$ 400 milhões.
Segundo o projeto assistencial, a estrutura prevista inclui 262 leitos gerais e 50 leitos de UTI, além de centro cirúrgico com oito salas, pronto-socorro referenciado e serviços especializados em áreas como oncologia, cardiologia, ortopedia e neurocirurgia.
Apesar do avanço administrativo, a construção da unidade ainda depende da publicação do edital de licitação para contratação das obras, etapa que, segundo o governo estadual, deve ocorrer nas próximas semanas.