Hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas enfrentam um cenário de forte pressão sobre a rede hospitalar. O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp registra 394% de ocupação na Unidade de Emergência Referenciada (UER) adulto, enquanto o Hospital PUC-Campinas informou que o pronto-socorro opera com 365% de ocupação. Já os hospitais municipais Mário Gatti e Ouro Verde, que integram a Rede Mário Gatti, trabalham com ocupação entre 93% e 100% dos leitos, segundo a Secretaria de Saúde. O cenário ocorre em meio a uma demanda elevada por atendimentos e também ao fechamento temporário da UTI adulto do Hospital Mário Gatti para novas internações após a identificação de casos de bactéria multirresistente, conhecida como superbactéria.
No Hospital PUC-Campinas, que atende pacientes do SUS, a situação levou a instituição a adotar medidas emergenciais. De acordo com nota oficial, o pronto-socorro registra ocupação muito acima da capacidade instalada e atualmente 25 pacientes aguardam cuidados intensivos. Outros 49 pacientes estão acomodados em macas nos corredores, devido à alta demanda por atendimento.
Diante da superlotação, o hospital informou que cirurgias eletivas foram canceladas por período indeterminado, até que o cenário da rede de saúde local seja estabilizado. A instituição também comunicou que, no momento, não tem condições de receber novos casos encaminhados pelo SUS.
Segundo o hospital, será necessário que a Regulação Municipal redirecione pacientes para outras unidades da rede estadual, para garantir a continuidade e a segurança da assistência. A direção da instituição também pediu apoio da imprensa para orientar a população a procurar, sempre que possível, outras unidades da rede de saúde.
Na terça-feira (10), a Prefeitura de Campinas havia informado que o pronto-socorro do hospital operava com 310% de ocupação. Em nota atualizada nesta terça-feira (11), porém, o Hospital PUC-Campinas afirmou que a taxa já chegou a 365%, indicando agravamento da superlotação.
A situação também é crítica no Hospital de Clínicas da Unicamp. A superintendência da unidade informou que a Unidade de Emergência Referenciada (UER) adulto opera com 394% de ocupação, o que provoca sobrecarga na estrutura física, nos equipamentos e nos recursos humanos e materiais do hospital.
Diante desse quadro, a administração do HC informou que implementou medidas de restrição no atendimento, priorizando casos de maior gravidade e complexidade. Os pacientes são encaminhados ao hospital por meio dos órgãos reguladores, como o Departamento Regional de Saúde (DRS-7), a Central Estadual de Regulação de Vagas e serviços de resgate da Região Metropolitana de Campinas, além do SAMU, do Corpo de Bombeiros e do Grupamento Águia da Polícia Militar.
A superintendência do hospital reforçou, em nota, que a instituição tem como finalidade principal o atendimento de casos graves referenciados de toda a região, e pediu compreensão da população até que a situação seja normalizada.
Na rede municipal, a Secretaria de Saúde informou que nenhum paciente que necessita de internação deixa de ser atendido na Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar. De acordo com a pasta, a ocupação dos leitos nos hospitais Mário Gatti e Ouro Verde varia entre 93% e 100%, com alta rotatividade de pacientes.
Segundo a secretaria, em média 30 pacientes recebem alta e outros 30 são admitidos diariamente em cada hospital municipal. As unidades funcionam em sistema de “porta aberta”, o que significa que atendem todos os pacientes que procuram o serviço, mesmo com níveis elevados de ocupação.
Diante do cenário, o prefeito de Campinas, Dário Saadi, solicitou uma reunião com o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, para pedir urgência na abertura de novos leitos hospitalares. Durante encontro realizado na tarde de terça-feira (10), o secretário se comprometeu a publicar em até 15 dias um chamamento público para viabilizar até 100 novos leitos do SUS na cidade, que deverão funcionar na Casa de Saúde.
A prefeitura também destacou que houve ampliação da capacidade hospitalar nos últimos anos. Quando o prefeito Dário Saadi assumiu o primeiro mandato, em 2021, Campinas contava com 885 leitos disponíveis, considerando estruturas próprias e convênios com hospitais privados. Atualmente, esse número ultrapassa 1 mil vagas.
De acordo com o município, Campinas investiu R$ 2,28 bilhões em saúde em 2025. Os recursos municipais representaram 71,27% do total aplicado na área, e as despesas liquidadas somaram R$ 1,66 bilhão, o equivalente a 24,83% das receitas de impostos da cidade, percentual acima do mínimo constitucional de 15% e também superior aos 17% previstos pela Lei Orgânica do município.
O cenário de pressão sobre a rede hospitalar ocorre também no momento em que o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti enfrenta um episódio envolvendo bactéria multirresistente, o que levou ao fechamento temporário da UTI adulto para novas internações. A medida foi adotada após a identificação de pacientes colonizados pela bactéria e faz parte do protocolo de controle de infecção hospitalar, com o objetivo de evitar a disseminação do microrganismo.
Com a UTI temporariamente sem receber novos pacientes e hospitais da região operando acima da capacidade, o sistema de saúde de Campinas enfrenta um período de forte demanda e reorganização da rede de atendimento.