Por: Moara Semeghini - Campinas

Superbactéria fecha UTI do Mário Gatti após infecção em 7 pacientes

A identificação de sete pacientes com a bactéria multirresistente KPC levou ao fechamento temporário da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas | Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

A identificação de sete pacientes com a bactéria multirresistente KPC levou ao fechamento temporário da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, para novas internações a partir desta terça-feira (10).

A KPC (Klebsiella pneumoniae Carbapenemase) é uma superbactéria multirresistente comum em ambientes hospitalares, capaz de produzir uma enzima que neutraliza antibióticos potentes, incluindo os carbapenêmicos, usados em infecções graves. O microrganismo pode provocar quadros como pneumonia, infecções urinárias, respiratórias e infecções da corrente sanguínea, e apresenta alta taxa de mortalidade em pacientes vulneráveis. O tratamento costuma ser limitado a poucos medicamentos disponíveis, como as polimixinas.

A bactéria pertence ao grupo da Klebsiella pneumoniae, considerada uma das mais perigosas do mundo devido à sua resistência a antibióticos e capacidade de causar infecções hospitalares graves. Em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o microrganismo na categoria “crítica”, o nível mais alto de preocupação em sua lista de bactérias contra as quais o desenvolvimento de novos medicamentos é considerado urgente.

Segundo especialistas, esses microrganismos evoluíram ao longo dos anos e desenvolveram mecanismos capazes de driblar antibióticos existentes, o que dificulta o tratamento das infecções.

No caso do Hospital Mário Gatti, a presença da bactéria foi identificada durante o monitoramento de rotina realizado pelas equipes assistenciais e pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.

Embora a KPC seja considerada relativamente comum em ambientes hospitalares de alta complexidade, neste episódio houve dificuldade em conter a disseminação entre pacientes da UTI, o que levou à adoção de medidas emergenciais.

Como parte do plano de contingência, a UTI adulto foi temporariamente fechada para novas internações. A medida tem o objetivo de interromper a transmissão da bactéria e reforçar as ações de controle e segurança dentro da unidade.

A coordenadora do setor de informações da Rede Mário Gatti, Andrea Von Zuben, afirmou que a decisão foi tomada para proteger pacientes que necessitam de cuidados intensivos. “A ideia neste momento é proteger o paciente e interromper a transmissão. Só voltaremos a admitir novos pacientes quando o ambiente estiver mais seguro”, afirmou.

Os sete pacientes diagnosticados com a bactéria permanecem isolados em um salão específico da UTI, com equipe exclusiva para o atendimento. Outros três pacientes que estavam internados na mesma ala serão transferidos para leitos de igual complexidade em outras unidades da rede municipal.

Enquanto durar a restrição, pacientes que necessitarem de internação em terapia intensiva serão encaminhados para o Hospital Ouro Verde ou para vagas em outros hospitais da cidade, por meio da central de regulação municipal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi orientado a não encaminhar novos pacientes com necessidade de UTI para o Mário Gatti.

O hospital continuará funcionando normalmente para atendimentos de urgência e emergência. A diferença é que pacientes que necessitarem de UTI serão direcionados para outras unidades da rede.

Além do isolamento dos pacientes infectados, o plano de contingência prevê reforço nas medidas de limpeza e desinfecção do ambiente hospitalar, intensificação da higienização das mãos e novos treinamentos para as equipes de assistência e limpeza.

De acordo com a Rede Municipal Mário Gatti, o plano foi encaminhado ao Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) e está sob análise.

A expectativa é que a UTI passe por um processo de limpeza aprofundada e pequenas intervenções estruturais antes de voltar a receber novos pacientes. A estimativa inicial é de que a reabertura ocorra em até 30 dias, dependendo da evolução do controle da situação.

Segundo especialistas em infectologia, pacientes hospitalizados e com imunidade debilitada, especialmente aqueles internados em unidades de terapia intensiva, estão entre os mais vulneráveis. Fora do ambiente hospitalar, a ocorrência desse tipo de infecção é considerada rara.

A Rede Municipal Dr. Mário Gatti informou que continuará monitorando o cenário e manterá as medidas preventivas até que a situação seja considerada estabilizada pelas equipes técnicas.