Por: Moara Semeghini

Após polêmica, árvore de 50 anos precisará ser suprimida no Cambuí

A árvore sibipiruna, localizada na rua Coronel Quirino, no Cambuí, em Campinas | Foto: Moara Semeghini/Correio da Manhã

A árvore sibipiruna (Cenostigma pluviosum), localizada na rua Coronel Quirino, 2008, no Cambuí, em Campinas (SP), precisará ser suprimida. O laudo técnico final do exame, que utiliza tecnologias específicas para medir a condição interna da árvore e foi elaborado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema), apontou que a árvore está em condições limítrofes - na fronteira entre a vida saudável e a morte - e recomenda a supressão.

Na última semana, a tentativa de extração desta mesma sibipiruna por uma empresa autorizada pela Prefeitura de Campinas causou indignação em moradores das proximidades e ambientalistas, que defendiam a permanência da árvore no local. A polêmica foi gerada depois que uma magnólia amarela, que estava saudável e exuberante, foi extraída pela mesma empresa com o aval da Secretaria de Serviços Públicos. A árvore, de 14 metros, ficava na mesma calçada da sibipiruna, na Rua Doutor Carlos Guimarães, esquina com a Rua Coronel Quirino, em frente ao número 2008, no Cambuí. O Conselho, portanto, concorda com o aval da Prefeitura para a supressão desta árvore.

Macaque in the trees
O engenheiro florestal e agrônomo José Hamilton de Aguirre Junior (ao fundo) observa a sibipiruna, enquanto equipe do Comdema realiza a tomografia de impulso sônico e a resistografia, técnicas capazes de diagnosticar a saúde da árvore | Foto: Moara Semeghini/Correio da Manhã

Tomografia

O engenheiro florestal e agrônomo José Hamilton de Aguirre Junior, do Comdema, realizou na sexta-feira (7), a tomografia de impulso sônico e a resistografia, técnicas capazes de diagnosticar a saúde da árvore. “Um dos exames da área interna da árvore atesta que há 24% de perda de resistência da madeira na área da base, que é muito importante de sustentação”, explicou o engenheiro.

“Existe um limite de segurança pré-determinado, com base em metodologias e referências científicas da área, que estabelece um limite de 30% como quantidade máxima aceitável de danos, perda de densidade ou comprometimento da área do tronco no indivíduo arbóreo. O exame da área interna da árvore sibipiruna atesta que há 24% de perda de resistência da madeira na área da base, que é muito importante de sustentação”, explicou o engenheiro agrônomo.

Segundo o engenheiro, a equipe tomou a decisão pela supressão pautada em um conjunto de critérios como vigor, saúde e até mesmo o local por ter muito trânsito de carros e pedestres. “A sibipiruna tem uma idade avançada e uma estrutura gigante, como é possível observar. O fator para a tomada de decisão final foi esta deterioração na parte mais baixa da árvore, pois a estrutura não tem uma base com força suficiente para aguentar a tração (batida, vento, chuva). Não podemos afirmar, com segurança, que no caso de um evento extremo ela tem a plena condição de ficar firme. E o fator decisivo para a tomada de decisão foi o grande fluxo de veículos e de pedestres na calçada”, disse Aguirre Junior. “Por isso, houve a indicação para a supressão do exemplar”, completou.

Intervenções do Comdema suspensas

Na última quarta-feira (5), à tarde, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) suspendeu a norma que obrigava a reaçizar consulta prévia ao Comdema para qualquer intervenção em árvores localizadas em áreas públicas. A Justiça atendeu ao pedido da prefeitura.

Antes da decisão da Justiça, o Comdema havia solicitado à Prefeitura, na manhã do mesmo dia, a interrupção temporária da operação de extração da sibipiruna, para realizar novo estudo do caso e avaliação mais detalhada sobre as reais condições da árvore. A solicitação do Conselho se deu depois da supressão indevida da magnólia amarela, que estava saudável, com aval da Prefeitura. 

Macaque in the trees
A exuberante magnólia amarela (Magnolia champaca), que ficava na Rua Doutor Carlos Guimarães, 2008, no Cambuí, e que foi cortada na manhã do dia 3 de novembro com aval da Prefeitura de Campinas (SP), estava saudável | Foto: Moara Semeghini/Correio da Manhã

Replantio

José Hamilton de Aguirre Junior disse que houve um acordo entre os proprietários do empreendimento que será inaugurado em breve no local e será realizada uma compensação ambiental em plantio comunitário, com mudas com de Diâmetro à Altura do Peito de 3 cm, e 2,5 de altura, “justamente já para causar um efeito imediato, assim que o replantio for permitido”, explicou.

O agrônomo explicou que esta nova etapa preconiza pelo menos uma árvore a cada 10 metros, conforme a lei municipal 11.571 de 2003.

Macaque in the trees
Tronco que restou da exuberante magnólia amarela (Magnolia champaca), que ficava na Rua Doutor Carlos Guimarães, 2008, no Cambuí, e que foi cortada na manhã do dia 3 de novembro com aval da Prefeitura de Campinas (SP), estava saudável | Foto: Moara Semeghini/Correio da Manhã

Macaque in the trees
Mensagens de agradecimento coladas por moradores no tronco da árvore sibipiruna (Cenostigma pluviosum), localizada na rua Coronel Quirino, 2008, no Cambuí, em Campinas (SP), que precisará ser suprimida | Foto: Moara Semeghini/Correio da Manhã

Macaque in the trees
A árvore sibipiruna (Cenostigma pluviosum), localizada na rua Coronel Quirino, 2008, no Cambuí, em Campinas (SP), precisará ser suprimida | Foto: Moara Semeghini/Correio da Manhã

Macaque in the trees
Tronco que restou da exuberante magnólia amarela (Magnolia champaca), que ficava na Rua Doutor Carlos Guimarães, 2008, no Cambuí, e que foi cortada na manhã do dia 3 de novembro com aval da Prefeitura de Campinas (SP), estava saudável | Foto: Moara Semeghini/Correio da Manhã

Macaque in the trees
Mensagens de agradecimento coladas por moradores no tronco da árvore sibipiruna (Cenostigma pluviosum), localizada na rua Coronel Quirino, 2008, no Cambuí, em Campinas (SP), que precisará ser suprimida | Foto: Moara Semeghini/Correio da Manhã

Macaque in the trees
A árvore sibipiruna localizada na rua Coronel Quirino, 2008, no Cambuí, precisará ser suprimida | Foto: Moara Semeghini/Correio da Manhã