Correio da Manhã
Política

Defesa de Bolsonaro recorre contra veto a visitas: "Silenciamento"

Recurso apresentado pela defesa de Bolsonaro alega que Moraes ampliou alcance de artigo da Constituição sobre suspensão de direitos políticos

Defesa de Bolsonaro recorre contra veto a visitas: "Silenciamento"
Defesa de Jair Bolsonaro questiona argumentos de Moraes para suspensão de visitas de cunho político-eleitoral Crédito: Antonio Augusto/STF

A defesa de Jair Bolsonaro impetrou agravo regimental contra a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de proibir visitas político-partidárias e a divulgação de manifestações de cunho eleitoral, inclusive por intermédio de terceiros, até o final das eleições deste ano.

O recurso alega que a decisão amplia o alcance do artigo 15 da Constituição, que trata da suspensão dos direitos políticos de condenados pela Justiça, impondo um “silenciamento” do ex-presidente. Para os advogados de Bolsonaro, a medida se baseou em um argumento “genérico” com relação ao que seria uma “visita com finalidades político-eleitorais”.

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Flávio leu carta na qual Jair Bolsonaro pede união em torno de pré-candidatura | Foto: Reprodução/Redes sociais

“Em nenhum momento, a decisão estabelece quais critérios permitirão concluir que determinada visita eventualmente pretendida entre o agravante e qualquer outro interlocutor poderá ostentar ‘finalidade político-eleitoral’”, diz o recurso. Bolsonaro teve seus direitos políticos suspensos na condenação a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

“A suspensão dos direitos políticos prevista na Constituição não autoriza a imposição de limitações à liberdade de pensamento e de manifestação de ideias, tampouco a ampliação das cautelares anteriormente impostas para vedar, de forma genérica, a divulgação de manifestações político-eleitorais por qualquer meio ou a imposição de restrições fundadas em conceitos jurídicos indeterminados”, afirma o agravo regimental.

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Carta de Jair Bolsonaro fala em "deixar diferenças de lado" após briga entre Flávio e Michelle | Foto: Reprodução/Redes sociais

A proibição de visitas e da publicação de mensagens políticas foi suspensa por Moraes após a divulgação, pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), em suas redes sociais, de uma carta escrita por Bolsonaro na qual o ex-presidente apontava o senador como seu “porta-voz” e pedia união da direita em torno da candidatura.

Para a defesa de Bolsonaro, as restrições impostas inicialmente por Moraes ao uso de redes sociais e entrevistas a veículos de comunicação “passaram a traduzir verdadeira proibição de divulgação de manifestações de conteúdo político-eleitoral por qualquer meio, inclusive por intermédio de terceiros, sem que houvesse previsão legal ou fundamento constitucional apto a justificar semelhante extensão”.