Correio da Manhã
Política

Moraes arquiva investigação contra Bolsonaro por "Abin Paralela"

Investigação contra Carlos Bolsonaro foi enviada à primeira instância da Justiça Federal; decisão também beneficia Alexandre Ramagem

Moraes arquiva investigação contra Bolsonaro por "Abin Paralela"
Alexandre de Moraes determinou arquivamento de inquérito contra Jair Bolsonaro e Alexandre Ramagem Crédito: Gustavo Moreno/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o arquivamento da investigação contra Jair Bolsonaro no caso do monitoramento ilegal de autoridades e jornalistas pela Agência Brasileira de Inteligência, conhecido como “Abin Paralela”.

A decisão seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o argumento de que todos os elementos apurados pela Polícia Federal (PF) no caso foram usados para embasar as acusações contra Bolsonaro no julgamento da ação sobre a tentativa de golpe de Estado, no qual o ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão.

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Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado | Foto: Ton Molina/STF

O arquivamento da investigação sobre a Abin Paralela beneficia também o ex-diretor-geral da agência e ex-deputado Alexandre Ramagem, que fugiu para os Estados Unidos após a condenação pela tentativa de golpe de Estado.

Segundo Moraes, a Abin Paralela funcionava como uma “célula cladestina” que não se limitou ao monitoramento ilegal. “A célula clandestina também utilizava demais ferramentas, inclusive de sistemas para ocultação de rastros e expedientes impróprios em casos de alvos mais sensíveis”, disse o ministro, na decisão.

Primeira instância

Parte da investigação, envolvendo pessoas sem prerrogativa de foro privilegiado, foi enviada para a primeira instância da Justiça Federal em Brasília. Entre os acusados está o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato do PL ao Senado em Santa Catarina.

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Investigação contra Carlos Bolsonaro segue na Justiça Federal em Brasília | Foto: Luciola Villela/CMRJ

Nesses casos, a apuração dos indícios de crimes de peculato, organização criminosa, violação de sigilo funcional e interceptação ilegal de comunicações terá continuidade.

As acusações contra os agentes Alessandro Moretti, Luiz Carlos Nóbrega Nelson, Luiz Fernando Corrêa, José Fernando Moraes Chuy e Lúcio de Andrade Vaz Parente também foram arquivadas. De acordo com Moraes, não foram apresentados indícios suficientes para justificar a continuidade da denúncia.