Tales Faria

Bolsonaro: "Seria melhor perder do que desistir"

Em recado aos aliados, ex-presidente deixa claro que não abre mão do espólio político-eleitoral do bolsonarismo permanecer com o clã

Bolsonaro: "Seria melhor perder do que desistir"
Bolsonaro & Filhos, uma grande família Crédito: Reprodução/X

O ex-presidente Jair Bolsonaro mandou o seguinte recado aos aliados: “Não há hipótese de o Flávio [seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)] desistir da candidatura a presidente da República.”
Segundo o chefe do clã Bolsonaro, “seria melhor perder as eleições do que desistir”. Mas ele também avisou que não acredita em derrota.

Bolsonaro avalia que “será superado antes das eleições” o episódio da gravação em que Flávio pediu dinheiro – e conseguiu pelo menos R$ 134 milhões – a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master que está preso, para supostamente produzir um filme biográfico sobre o ex-presidente.

Foi o próprio Flávio quem transmitiu o recado de seu pai aos aliados. O senador acrescentou que se sente “mais convicto de concorrer” depois de ter recebido "esse incentivo".

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro está também pedindo aos seus seguidores que não façam pressões contra Flávio, para não parecer que quer "tomar o lugar” do candidato.

O que isso tudo significa?

Significa que Jair Bolsonaro não pretende entregar o seu espólio eleitoral e político a ninguém que não sejam seus filhos. Isso inclui até mesmo sua mulher, Michelle, segundo relato de aliados.

Sem desistir da candidatura, a derrota de Flávio nas eleições de outubro seria ruim, mas a hegemonia do clã na ultradireita do país poderá se manter.

O problema é que não há entre todos os aliados de Bolsonaro a visão de que esta seja a melhor decisão para eles. Se Flávio for derrotado em outubro, muitas candidaturas e muitos cargos públicos no país serão perdidos. Junto, há o risco de que esses aliados não consigam se eleger mais adiante.

Então a estratégia do clã é vista como um risco à sobrevivência dos aliados.

Flávio e os demais membros da família ainda são novos e poderão disputar outras eleições, inclusive a presidencial de 1930.

Quanto ao próprio Jair Bolsonaro disputar em 2030, as esperanças são cada vez menores. Não bastassem os problemas jurídicos que resultaram de sua condenação a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de estado, há ainda problemas políticos de falta de apoio do centrão a uma anistia total para o ex-presidente.

Além disso, há a questão da saúde precária.

Segundo o relatório semanal de saúde enviado por seus médicos, nessa sexta-feira, 14, ao Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro segue em acompanhamento domiciliar após a cirurgia realizada no ombro direito no início do mês.

O ex-presidente apresenta um quadro persistente e inalterado de instabilidade do equilíbrio corporal. Não se sabe ainda se as dores que sentia no ombro estarão definitivamente afastadas.