CORREIO BASTIDORES | Líder do PL: é preciso incentivar o trabalho, não diminuir
13 de maio de 202600:03POR
FERNANDO MOLICA
Portinho quer discutir mais fim da seis por umCrédito: Geraldo Magela/Agência Senado
Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), disse à coluna, ao comentar o fim da escala seis por um, ser preciso "incentivar o trabalho, não reduzir, reduzir a produção". Para ele, a mudança na jornada tem que ser mais bem debatida, não pode ser "eleitoreira nem populista".
Afirmou ser favorável à liberdade de negociação e à discussão do tempo de trabalho a partir da realidade de cada setor. "Tem setores em que isso é possível; outros já fazem. Há setores que fazem home office", citou.
Ressaltou que "o trabalhador mesmo, o cara do Uber, do táxi, do aplicativo, não está nem aí pro seis por um". De acordo com o senador, essas pessoas trabalham 12 horas por dia, todos os dias, para fechar as contas.
Contrapartidas
Portinho classificou a discussão de "muito rasa" e ressaltou a necessidade de haver mensuração dos impactos que a eventual redução da jornada terá nos diferentes setores, o que cada um pode suportar.
Isso, para que se possa verificar a importância de criação de contrapartidas para empresas, como a desoneração da folha de pagamentos — uma diminuição na cobrança de impostos.
Menos empregos
Deputado Léo Prates (Republicanos-BA) relator da PECCrédito: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Na avaliação do líder do PL, do jeito que está sendo proposta, a redução da escala de trabalho seria prejudicial ao próprio trabalhador, já que haveria uma redução dos empregos.
"O supermercado não vai abrir aos domingos, não vai contratar um terceiro turno. Comércio e restaurantes vão fechar um dia na semana", enumerou.
Portinho citou também a possibilidade de piora no tempo de deslocamento para os locais de trabalho. "Os mais pobres é que vão pagar a conta", disse.
Desenrola os bancos
O senador também criticou a nova versão do programa Desenrola, criada pelo governo com o objetivo de diminuir e equacionar dívidas acumuladas pela população.
Para ele, a iniciativa será boa para os bancos, que, assim, terão como receber pagamento por créditos pendentes.
Ele condenou a possibilidade de uso de parte do FGTS no pagamento de dívidas: "É a única poupança que restava".
Bolsonaro liberou
Entre 2019 e meados de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro, apoiado por Portinho, liberou, pelo menos, saques do FGTS que chegaram a, pelo menos, R$ 123 bilhões, cerca de 20% do patrimônio do Fundo. Mas, para o senador, as condições eram diferentes, estavam relacionadas à pandemia da Covid 19.
No Niltão
Um dos alvos de operação de busca e apreensão "pessoal, veicular e domiciliar" determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, o deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) é muito conhecido pela torcida do seu time, o Botafogo. Ele costuma panfletar nas proximidades do estádio Nilton Santos.
Dornelles
No penúltimo sábado, o deputado levou para ajudá-lo na tarefa o ex-jogador André Silva, uma das estrelas do time alvinegro que conquistou o Campeonato Brasileiro de 1995. Queiróz entrou para a política abençoado pelo ex-ministro e ex-governador Francisco Dornelles, que morreu em 2023.
PET
Queiroz é suspeito de participação em esquema de fraudes em licitações quando era secretário estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, nas gestões de Wilson Witzel e Cláudio Castro. Ocupou também secretarias na Prefeitura do Rio. Ele se apresenta como defensor dos animais — a decisão de Dino foi tomada na PET 15.234.
CPMI travada
Por falar no STF: como o Correio Bastidores antecipou, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), esteve como o ministro André Mendonça para reivindicar uma decisão favorável na ação em que cobra a instalação da CPMI do Banco Master — o requerimento foi protocolado no dia 3 de fevereiro.
'Sensibilizado'
Pelo regimento, a instalação deveria ter ocorrido na sessão seguinte do Congresso. O tema, porém, foi ignorado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo Jordy, Mendonça, relator da ação, mostrou-se "solícito e sensibilizado", e falou que iria avaliar: "Estamos aguardando", diz o deputado.
Receba as principais notícias do dia
Cadastre-se gratuitamente e fique por dentro de tudo que acontece no Brasil e no mundo.
Ao se inscrever, você concorda em receber nossa curadoria editorial por e-mail e aceita a nossa
Política de Privacidade.