CORREIO BASTIDORES | Alcolumbre negocia eleição do Estado do Rio com o STF
Presidente do Senado articula nos bastidores para que o Supremo defina o comando do Estado após a renúncia de Cláudio Castro.
11 de maio de 202600:01POR FERNANDO MOLICA
Presidente do Senado entrou em campoCrédito: Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Transformado em camisa 10 da oposição depois de derrotar duas vezes o governo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está em campo para outra disputa pesada: convencer o Supremo Tribunal Federal a resolver a sucessão no Estado do Rio de Janeiro.
Desde o dia 23 de março, quando houve a renúncia de Cláudio Castro (PL), que os fluminenses estão sendo governados por um jogador improvisado na posição, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto.
A entrada de Alcolumbre no jogo é que motivou o cancelamento, pela segunda vez, de uma entrevista coletiva de líderes oposicionistas para cobrar uma posição do STF.
Coletiva cancelada
Presidente do TJ-RJ, Couto segue no governo do estadoCrédito: Divulgação / TJ-RJ
Como o Correio Bastidores publicou no último dia 5, PL, União e PP anunciariam, na mesma tarde, sua disposição de obstruir os trabalhos do Congresso para forçar uma definição do STF.
Isso, como disse o líder do PL da Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), se a corte não desse uma sinalização positiva sobre o andamento o caso ao presidente de uma das duas casas do Legislativo.
Estrela de Davi
Pelo que agora diz Sóstenes, a estrela de Davi Alcolumbre surgiu no céu, e a oposição resolveu dar um "voto de confiança" à sua articulação com o STF.
Com a renúncia de Castro, caberia ao presidente da Assembleia Legislativa assumir interinamente o governo e convocar eleições indiretas para um mandato-tampão.
O problema é que a Alerj estava sendo presidida por um interino. O ex-titular, Rodrigo Bacelar (União), teve seu mandato cassado no dia 24 de março pelo Tribunal Superior Eleitoral. Ele está preso.
Idas e vindas
Couto, então, assumiu o governo. A Alerj elegou rapidamente um novo presidente, Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo na eleição de outubro. Mas a Justiça anulou esta votação. Ele acabaria sendo eleito de novo no último dia 17, mas o fato de o PSD do ex-prefeito Eduardo Paes — também pré-candidato ao Palácio Guanabara — ter recorrido ao STF complicou tudo.
Jogo parado
Cabe ao STF decidir se será direta ou indireta a escolha de quem completará o mandato de Castro. No dia 9, o placar estava 4 a 1 pela indireta, mas o ministro Flávio Dino pediu vista do processo, alegando a necessidade de esperar a publicação do acórdão do TSE. Isso já ocorreu, mas o STF joga parado.
Em campo
Votaram a favor da indireta os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia; Cristiano Zanin ficou com a direta que, a cada dia, torna-se mais improvável — o prazo vai ficando apertado para campanha, preparação de urnas e eventuais dois turnos. Sem o VAR do STF, Couto segue em campo.
Estratégias
Alexandre de Moraes teria se aproximado de Alcolumbre para articular a rejeição de Jorge Messias, advogado-geral da União, para a corte. Majoritária na Alerj, a direita quer uma definição para tentar eleger Ruas e, assim, controlar a máquina. Para o PSD, o melhor é prorrogar a indefinição.
Superdotação
Aprovado pela Câmara e pronto para ser votado no Senado, o projeto da deputada Soraya Santos (PL/RJ) que institui a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação é alvo de críticas de pais e de entidades especializadas. Eles querem que o texto seja mais discutido por comissões antes de ir para o plenário.
Críticas
O projeto foi incluído na pauta do plenário da próxima quarta-feira, mas a Frente Ampla em Defesa da Superdotação quer que a proposta passe, primeiro, pelas comissões de Educação e de Direitos Humanos do Senado. Alega que o texto poderá dificuldar o desenvolvimento de estudantes.
Problemas
Há a alegação de que a definição de AH/SD como "condição do neurodesenvolvimento" não é consensual. Isso geraria problemas conceituais, patologização, exigência de laudos e criação de barreiras. Há também críticas à não obrigatoriedade de adoção de políticas por estados e municípios.
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