Correio da Manhã
CORREIO BASTIDORES

CORREIO BASTIDORES | Relator disse que emenda de Ciro Nogueira 'inoportuna'

CORREIO BASTIDORES | Relator disse que emenda de Ciro Nogueira 'inoportuna'
Plínio Valério rejeitou proposta que favorecia Master Crédito: Waldemir Barreto / Agência Senado

Relator, na Comissão de Constituição e Justiça, da PEC 65, que trata do Banco Central, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) classificou de "inoportuna" a emenda apresentada por Ciro Nogueira (PP-PI) e que, segundo a Polícia Federal, foi redigida pelo Banco Master.

Para Valério, a garantia de R$ 250 mil para investimentos dada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) era suficiente: cobria 99% dos depósitos e investimentos e cerca de 50% de seus valores. Nogueira queria aumentar o limite para R$ 1 milhão.

O relator também criticou a proposta de Nogueira de tranferir a regulação do FGC — mantido e administrado por bancos — para o Conselho Monetário Nacional.

 

Modelo privado

Em seu parecer, Valério admitiu, como ressaltado por Nogueira, que o modelo privado de fundos garantidores é minoritário na maior parte dos países.

Mas ressaltou que esse formato é adotado em mais de trinta nações, entre elas, algumas como "com sistemas financeiros complexos", como Alemanha, França, Suíça, Singapura e Hong Kong. Frisou que em nenhum país esse tipo de fundo é matéria constitucional.

A surpresa de Alcolumbre

A surpresa de Alcolumbre
Senador rompeu acordo e pautou PEC Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado

O parecer sobre a emenda de Nogueira foi apresentado por Valério em 14 de agosto de 2024.

No dia 4 de setembro, o relator se disse surpreendido pela decisão do então presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (União-AP), de colocar a PEC na pauta, o que despeitava um acordo que havia sido feito. Valério pediu uma "explicação plausível" para a atitude.

Alcolumbre respondeu que não tomara a decisão sozinho, atendera pedidos de outros senadores. A PEC ainda tramita na CCJ.

Estilhaços no Paraná

Estilhaços gerados pela suspeita de que o Master redigiu a emenda chegaram ao Paraná e ameaçam ferir a candidatura do deputado Filipe Barros (PL) ao Senado.

Em novembro de 2024, três meses depois de Nogueira apresentar sua emenda, Barros protocolou projeto de lei que também aumentava para R$ 1 milhão a cobertura do FGC. Em fevereiro passado, ele retirou seu projeto.

'Credenciais'

A esquerda não perdeu tempo e respostou entrevista em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que Ciro Nogueira tinha "perfil" e "todas as credenciais" para ser candidato a vice-presidente da República. Na época, Flávio ainda não havia sido lançado ao Palácio do Planalto pelo pai, Jair Bolsonaro.

Ressaca

As acusações contra Nogueira, ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, abalaram a oposição — ficou mais difícil tirar o Master da própria sala. A reunião do presidente Lula (PT) com Donald Trump também colaborou para esfriar o ânimo dos que comemoravam as derrotas do governo no Congresso.

Torcida

Apesar do tapete vermelho estendido para Lula e do uso da palavra "dinâmico" por Trump para classificar o brasileiro, bolsonaristas ainda acreditam/torcem para que as expectativas do petistas acabem frustradas pela Casa Branca. Fazem o discurso do ver para crer em concessões norte-americanas.

Refit

Ao afirmar, na entrevista, que falara com Trump sobre a lavagem de dinheiro no estado de Delaware, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tocou em um ponto muito importante para Lula. O grupo Refit teria usado as facilidades locais para lavar R$ 72 bilhões — Lula já pediu aos EUA a prisão de Ricardo Magro, dono do conglomerado.

O sábio Barão

A irritação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e da Polícia Federal com a delação apresentada por Daniel Vorcado, do Banco Master, faz lembrar uma das grandes frases de Apparício Torelly (1895-1971), o Barão de Itararé: "De onde menos se espera, daí é que não sai nada".

Ô fase...

Outra má notícia para bolsonaristas: a Anvisa determinou o recolhimento de lotes de detergente, sabão líquido e desinfetante da marca Ypê: todos oferecem risco de contaminação. Quatro integrantes da família Beira, dona da Ypê, doaram um total de R$ 1,5 milhão para a campanha de Bolsonaro em 2022.