Eleições 2026

Novo contesta vitória de Lula e mantém ações contra chapa na Justiça

Presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, afirma que partido não reconhecerá o resultado enquanto questionar a chapa Lula-Alckmin na Justiça; Mobiliza ainda não se manifestou sobre a eleição

Novo contesta vitória de Lula e mantém ações contra chapa na Justiça
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante ato de campanha em São Paulo Crédito: Ricardo Stuckert

Quase uma semana após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamar o resultado das eleições presidenciais, o partido Novo ainda não reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A legenda Mobiliza também não se manifestou sobre o desfecho da disputa. Ao todo, 27 partidos divulgaram declarações reconhecendo a reeleição do presidente.

Em publicação nas redes sociais, o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, questionou o resultado e acusou o PT de utilizar a estrutura do governo e o Supremo Tribunal Federal (STF) para permanecer no poder. Ele fez referência à decisão do ministro Cristiano Zanin que prorrogou o horário de votação até as 19h, medida também solicitada pelo PL.

“O resultado da eleição é a prova de que o Brasil não é uma democracia. Como se não bastasse fazer uma campanha cheia de mentiras, o PT usou como nunca a máquina pública e o STF pra se manter no poder. Temos três ações pedindo a cassação da chapa de Lula. Cabe agora à Justiça cumprir seu papel, se ainda existe Justiça nesse país”, afirmou.

O TSE reconheceu a vitória de Lula no domingo (25), após a totalização dos votos, e atestou a regularidade do processo eleitoral. Depois da derrota, Flávio Bolsonaro (PL) também declarou que não reconhecia o resultado e anunciou que pediria a anulação da votação.

O senador deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos e, após chegar ao país, divulgou uma carta na qual questionou o resultado das urnas, levantou suspeitas de fraude sem apresentar provas e se declarou “o verdadeiro presidente do Brasil”. Minutos depois, alterou a expressão para “líder do Brasil”.

Após a publicação, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral conduziu o pleito com segurança e que as eleições transcorreram “dentro da mais absoluta normalidade”.

Entre os partidos que reconheceram a vitória de Lula estão o próprio PL, legenda de Flávio Bolsonaro, União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democrata, Democracia Cristã (DC), Unidade Popular (UP) e PSTU.

Em entrevista ao g1, Eduardo Ribeiro afirmou que o Novo não pretende mudar de posição enquanto mantiver ações judiciais contra a chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin.

“Não vai mudar. Primeiro porque seria contraditório a gente reconhecer a vitória de uma chapa que a gente ainda está contestando na Justiça. O Novo tem três ações contra a chapa Lula-Alckmin, todas elas ajuizadas antes da eleição”, declarou.

A legenda não se pronunciou sobre a carta divulgada por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo informações apuradas pelo g1, a estratégia do Novo também considera as divergências dentro da direita sobre a postura a ser adotada diante do resultado eleitoral e do discurso do senador.

Ribeiro afirmou que o partido não pretende se envolver em disputas entre grupos da direita, mas disse que a sigla está aberta a receber políticos que se identifiquem com suas posições.

“O Novo vai estar de portas abertas a todos aqueles que consideram o Novo como um partido de direita, liberal, conservador, que tem princípios, que tem pessoas decentes. O Novo vai estar sempre de portas abertas, mas nós não temos interesse em entrar em rusgas da direita nesse momento”, afirmou.

As divergências entre o Novo e Flávio Bolsonaro já haviam aparecido durante a campanha. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, então candidato à Presidência pelo partido, foi um dos primeiros políticos a criticar a relação do senador com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

A manifestação ocorreu após a divulgação de áudios nos quais Flávio pede dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, declarou Zema na ocasião.

As críticas provocaram insatisfação dentro do Novo. Segundo o relato, integrantes da legenda cobraram que o ex-governador reduzisse o tom das declarações para evitar impactos nas alianças e nos palanques estaduais, especialmente no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná.

Zema passou, então, a defender a união da direita para derrotar o PT, mas perdeu apoio de integrantes do próprio partido ainda no primeiro turno. Um deles foi o deputado Marcel van Hattem, eleito senador pelo Rio Grande do Sul. Três dias antes da votação, ele participou de uma transmissão ao vivo com Flávio Bolsonaro e declarou que votaria no candidato do PL.

Nas eleições deste ano, o Novo elegeu dez deputados federais e três senadores, além de superar a cláusula de desempenho, também conhecida como cláusula de barreira. A regra estabelece um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara dos Deputados ou uma quantidade mínima de parlamentares eleitos para que os partidos tenham acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.

Zema terminou a disputa presidencial na sexta colocação, com 326.488 votos, o equivalente a 0,27% dos votos válidos. O resultado ficou abaixo do desempenho de Felipe D’Avila, candidato do Novo em 2022, que recebeu 559.708 votos, ou 0,47% do total.