A partir de 5 de janeiro de 2027, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumirá seu quarto mandato como presidente da República. E antes de subir a rampa do Palácio do Planalto novamente, ele já se articula com aliados para definir quem comandará seus ministérios.
A expectativa é que ele anuncie seus ministros na segunda quinzena de novembro ou no começo de dezembro. Ainda não há certeza do número exato de ministérios definidos, mas há chances do Ministério da Justiça e Segurança Publica ser separado em duas pastas. Isso porque o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou para nesta terça-feira (3) a votação da PEC da Segurança Pública.
Na avaliação do especialista em relações governamentais e professor do Ibmec Brasília Eduardo Galvão, “a tendência para o novo ciclo é de uma recomposição calculada, onde a prioridade do Palácio do Planalto será preservar a estabilidade da política econômica e a diplomacia”.
“O governo não busca uma revolução na Esplanada, mas um ajuste fino de engrenagens: mantém-se a âncora técnica onde há estabilidade e oxigena-se a articulação política onde o Congresso cobra eficiência”, destacou o professor em entrevista ao Correio da Manhã.
Permanências
Diante disso, ele avalia que nomes como Dario Durigan (Ministério da Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) devem permanecer em suas pastas “para emitir sinais claros de previsibilidade”. Além disso, também acredita que o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), deve retornar o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), embora haja também especulações de que o vice-presidente possa ir para Segurança Pública.
Na mesma linha, o professor de Políticas Públicas do Ibmec Brasília Arthur Wittenberg completa que Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Luiz Marinho (Trabalho) devem permanecer em seus cargos e, se remanejados, permanecerão no primeiro escalão do governo.
Mudanças
Porém, no caso do Ministério da Fazenda, Wittenberg avalia que a pasta deve passar por mudanças e citou como alternativa o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), nome que tem simpatia do mercado financeiro por seu perfil pragmático e experiência fiscal prática.
Outra mudança especulada nos Ministérios, é a chance do deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), responsável por criar e administrar o “Exército do Lula”, assumir a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).
Congresso
Um dos principais desafios para o governo federal será a nova composição do Congresso Nacional, majoritariamente de direita e com parlamentares contrários ao governo Lula. Na avaliação de Eduardo Galvão, o cenário do Poder Legislativo exige um movimento mais incisivo de rearranjo no “núcleo político duro, como a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais”.
“A necessidade de otimizar a relação com o Congresso exige negociadores com grande tração parlamentar e apelo regional, abrindo espaço para o remanejamento de lideranças como Camilo Santana para a articulação direta e de Silvio Costa Filho para reforçar a interlocução com o centro e o Nordeste”, ele ponderou.
Arthur ainda completa que, com a necessidade política do governo dialogar com setores do centro e da direita, “um dirigente muito identificado com a direção do PT pode gerar resistências entre potenciais aliados”.
“Mais do que assegurar o controle partidário da articulação política, o desafio será construir pontes com um Congresso ideologicamente mais distante do governo”, reiterou o professor de políticas públicas ao Correio.
Questionado como deve ser a divisão de ministérios entre membros do Centrão e da esquerda, Eduardo Galvão avaliou que, nesta gestão, a divisão será entre o Centrão operando “a infraestrutura e a governabilidade física”, enquanto a esquerda “preserva a agenda social, a marca do governo e as bandeiras de transição ecológica e direitos de cidadania”.
“A esquerda segura a alma e a narrativa social do mandato, enquanto cede a infraestrutura para manter a maioria no Congresso”, completou.
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