A Meta, controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp, reconheceu falhas em seus sistemas e informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que removeu sete perfis irregulares após uma ação apresentada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar das irregularidades identificadas, a empresa negou ter manipulado seus algoritmos para prejudicar o petista ou favorecer Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Na manifestação encaminhada à Justiça Eleitoral, a companhia admitiu três ocorrências questionadas pela coligação Brasil Pronto pra Mais: a suspensão indevida de uma conta de anúncios de Lula, uma falha na contagem de visualizações de vídeos no Instagram e a permanência de perfis que violavam as regras da plataforma.
Segundo a Meta, a conta de anúncios da campanha foi desativada em 23 de setembro por um erro nos mecanismos automáticos de identificação de fraudes. O acesso foi restabelecido pouco mais de uma hora depois. A empresa sustentou que o episódio não teve motivação política.
Sobre a redução das visualizações de vídeos de Lula, a companhia afirmou que uma falha técnica global afetou os contadores de reproduções dos Reels em 7 de outubro, entre 15h50 e 20h49. O problema teria atingido criadores de conteúdo em mais de 100 países, fazendo com que os números aparecessem zerados ou permanecessem congelados.
A Meta argumentou que a falha atingiu apenas a exibição das métricas e não comprometeu a distribuição dos vídeos aos usuários. A empresa também afirmou que o desempenho das publicações do perfil oficial de Lula naquele dia ficou acima da média recente da própria conta.
Outro ponto da representação envolve uma suposta rede de 255 perfis associados à disseminação coordenada de conteúdos políticos. A Meta informou ter analisado 35 contas identificáveis no material apresentado e removido sete delas, sendo seis por violações recorrentes das regras e uma por identidade enganosa. Outros quatro perfis já estavam indisponíveis.
A campanha de Lula, entretanto, questiona a falta de transparência sobre o funcionamento dos algoritmos e a ausência de esclarecimentos completos sobre os demais perfis denunciados. O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, criticou a resposta da empresa e cobrou informações sobre possíveis impactos das falhas no equilíbrio da disputa eleitoral.
O caso chegou ao TSE após a coligação acusar a plataforma de restringir a circulação de conteúdos do presidente e permitir maior visibilidade de publicações favoráveis ao adversário. O ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a Meta prestasse esclarecimentos sobre as suspeitas de tratamento desigual entre as candidaturas.
A empresa rejeitou as acusações de interferência e afirmou cumprir as regras eleitorais brasileiras. O reconhecimento dos problemas técnicos e a retirada dos perfis irregulares, por si só, não comprovam favorecimento político. A controvérsia permanece submetida à análise da Justiça Eleitoral.
Menu