O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) reagiu nesta terça-feira (6) às acusações de Eduardo Paes (PSD) sobre uma suposta "armação" para beneficiar Douglas Ruas (PL) na eleição para o Governo do Rio. Em vídeo publicado nas redes sociais, Garotinho lembrou que a própria coligação de Paes acionou a Justiça Eleitoral antes do primeiro turno em busca de uma definição que poderia levar à anulação de seus votos.
A afirmação encontra respaldo no processo eleitoral. Antes da votação de domingo (4), a coligação de Paes pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) máxima urgência no envio do recurso de Garotinho e a confirmação da decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) que havia indeferido o registro do ex-governador.
O ministro Floriano de Azevedo Marques acolheu o pedido de urgência e, na sexta-feira (2), determinou que os votos destinados a Garotinho não fossem considerados válidos e aparecessem como "anulados sub judice". Naquele momento, pesquisas indicavam que a retirada desses votos do cálculo poderia favorecer Paes, então apontado como líder da disputa.
O resultado das urnas, porém, inverteu o efeito político da medida. Douglas Ruas terminou o primeiro turno com 4.271.199 votos, ou 49,27% dos válidos, enquanto Paes recebeu 3.706.984, equivalentes a 42,76%. Garotinho obteve 274.411 votos, ou 3,17%.
Sem os votos de Garotinho na base de cálculo, Ruas ultrapassa 50% dos votos válidos e pode ser declarado governador eleito no primeiro turno. A mudança, no entanto, ainda depende de decisão da Justiça Eleitoral.
Na segunda-feira (5), Garotinho desistiu do recurso apresentado ao TSE para tentar validar sua candidatura. Paes reagiu acusando o ex-governador e Ruas de uma "armação" para impedir o segundo turno e afirmou que sua campanha havia denunciado desde o início que Garotinho seria um "candidato laranja".
A desistência não encerrou automaticamente o processo. Floriano Marques deu prazo de dois dias para a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestar antes de decidir sobre o pedido. Enquanto não houver definição do TSE e eventual retotalização dos votos, Ruas e Paes permanecem formalmente classificados para o segundo turno.
A controvérsia agora coloca a campanha de Paes diante de uma decisão judicial que ela própria ajudou a provocar antes das urnas. Na ocasião, o objetivo era obter uma definição sobre a validade da candidatura de Garotinho antes da votação. Com o resultado do primeiro turno, a exclusão definitiva dos mesmos votos passou a beneficiar Ruas e pode encerrar a eleição sem uma nova votação.
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