O desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno acelerou a movimentação de partidos do Centrão em direção à sua candidatura na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, reúne dirigentes e parlamentares nesta terça-feira (6), em Brasília, para rediscutir a neutralidade adotada na primeira etapa da eleição.
A tendência de aproximação ganhou força depois de Flávio terminar o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Durante a campanha, União Brasil e PP evitaram uma aliança nacional e liberaram seus grupos estaduais, apesar de setores das duas legendas já manterem proximidade com o candidato do PL.
Presidente do PP, Ciro Nogueira afirmou que defenderá na reunião apoio "total e irrestrito" a Flávio. No União Brasil, dirigentes também admitem a possibilidade de adesão. As conversas envolvem não apenas a eleição presidencial, mas a reorganização de forças no Congresso a partir de 2027, após o crescimento do PL nas urnas.
A campanha de Flávio também tenta transformar em uma frente mais ampla o apoio recebido de nomes da direita que disputaram o primeiro turno. Romeu Zema (Novo) anunciou na segunda-feira (5) voto no candidato do PL. Ronaldo Caiado (PSD) recebe Flávio nesta terça, em Goiânia, para formalizar seu apoio. Juntos, Caiado e Zema tiveram 2,45% dos votos válidos no domingo.
O movimento se estende aos estados. Dos 20 governadores eleitos no primeiro turno, dez apoiaram Flávio durante a campanha, segundo levantamento da CNN Brasil. O candidato do PL também tem aliados em boa parte das disputas estaduais que serão decididas no segundo turno.
A definição da União Progressista é considerada relevante pelo tamanho das bancadas e pela influência da federação no Congresso. A aproximação, porém, não significa alinhamento automático de todos os seus integrantes. União Brasil e PP reúnem grupos regionais com alianças distintas e parte deles mantém relações políticas com o governo Lula.
O segundo turno da eleição presidencial será realizado em 25 de outubro. Além de buscar partidos que ficaram neutros, Flávio tenta consolidar o eleitorado dos candidatos de direita derrotados, enquanto Lula trabalha para atrair setores de centro e ampliar sua votação entre os eleitores que não compareceram às urnas.
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