Crise no STF

Eduardo leva crise do STF ao governo Trump e pede novas sanções contra ministros

Ex-deputado e Paulo Figueiredo se reuniram com integrantes do Departamento de Estado após sessão sobre o Caso Master e defenderam medidas contra Moraes, Dino e Gilmar

Eduardo leva crise do STF ao governo Trump e pede novas sanções contra ministros
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo levaram a integrantes do governo Trump as discussões do STF sobre o Caso Master Crédito: Reprodução

A crise aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno do Caso Master chegou ao governo dos Estados Unidos. Um dia depois da sessão que terminou sem decisão sobre o caso envolvendo Alexandre de Moraes, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo se reuniram, em Washington, com integrantes do governo Donald Trump para defender novas sanções contra ministros da Corte.

A primeira reunião ocorreu na quarta-feira (16), no Departamento de Estado. Segundo relatos divulgados após o encontro, Eduardo e Figueiredo defenderam medidas contra Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. A agenda ocorre em meio à avaliação, dentro da administração Trump, sobre a possibilidade de novas medidas contra autoridades brasileiras.

A ofensiva tem como pano de fundo a sessão realizada pelo STF na terça-feira (15), quando os ministros começaram a discutir duas petições relacionadas ao Caso Master. Uma delas tem origem em relatório da Polícia Federal produzido a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro e relacionado a Moraes. A outra envolve questionamentos sobre a condução das investigações pelo ministro André Mendonça.

O mérito das acusações não chegou a ser analisado. O plenário discutia uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para decidir, entre outros pontos, se as duas petições deveriam tramitar conjuntamente e se seria necessário sortear um novo relator. O julgamento foi interrompido depois de pedido de vista de Flávio Dino.

Foi justamente o resultado inconclusivo da sessão que Eduardo e Figueiredo levaram à interlocução com integrantes do governo americano. A dupla tenta convencer Washington a retomar sanções financeiras contra Moraes e ampliar eventuais medidas para outros integrantes do Supremo.

Moraes já havia sido incluído pelo governo americano na lista de sanções da Lei Global Magnitsky em julho de 2025. A medida restringia eventuais bens sob jurisdição dos Estados Unidos e, em regra, transações financeiras envolvendo o ministro. A sanção foi retirada posteriormente, no contexto da aproximação diplomática entre os governos de Lula e Trump.

A possibilidade de novas medidas já vinha sendo discutida em Washington antes da reunião desta semana. Uma autoridade do Departamento de Estado afirmou à Folha de S.Paulo, na semana passada, que instrumentos de resposta estavam preparados para eventual adoção e que Moraes estava entre as autoridades acompanhadas pelo governo americano. A mesma apuração apontou, porém, que não havia cronograma definido e que a decisão final dependeria de Trump.

Dentro da administração americana também há preocupação com os efeitos de uma eventual sanção durante a campanha eleitoral brasileira. Segundo a mesma apuração, integrantes do governo avaliam o impacto político que medidas contra ministros do Supremo poderiam provocar no Brasil às vésperas das eleições.

A movimentação ocorre enquanto a crise interna do STF continua se ampliando. Além das divergências registradas durante a sessão do Caso Master, Gilmar Mendes questionou nesta quinta-feira (17) a condução de Luiz Fux no julgamento sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e afirmou ter ocorrido um "ajuste prévio" entre Fux e Mendonça para a convocação da sessão extraordinária.

O cenário também se tornou parte da disputa política brasileira. Governo e oposição passaram a explorar publicamente os acontecimentos no Supremo, enquanto o conteúdo extraído dos aparelhos de Vorcaro continua provocando questionamentos sobre integrantes da Corte e pessoas próximas a ministros.

Com a reunião em Washington, a crise deixa de ficar restrita às disputas internas do Judiciário brasileiro e passa a integrar também a agenda de interlocutores políticos nos Estados Unidos. Até agora, porém, não há anúncio oficial do governo Trump sobre a aplicação de novas sanções contra Moraes, Dino ou Gilmar Mendes.