Política

‘Rei do Gás’ é o principal doador para campanhas eleitorais

Empresário que tentou fazer termoelétrica no DF foi a pessoa física que mais contribuiu financeiramente para partidos

‘Rei do Gás’ é o principal doador para campanhas eleitorais
Carlos Suarez tentou fazer uma termoelétrica no Distrito Federal Crédito: Pedro França/Agência Senado

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontou que, até o momento, o empresário baiano Carlos Seabra Suarez, conhecido no setor de energia como “o Rei do Gás”, foi o principal doador para campanhas eleitorais deste ano.

Segundo a Justiça Eleitoral, Suarez foi a pessoa física que mais destinou recursos para o financiamento de campanhas. Ao todo, ele encaminhou R$ 5,7 milhões de reais para o diretório nacional de seis partidos. São eles: PP, PSD, PSDB, MDB, União Brasil (todos receberam R$ 1 milhão cada) e o PSB, que recebeu R$ 700 mil de doação.

A Justiça Eleitoral divulgou nesta terça-feira (15) uma prestação de contas parcial sobre doadores para campanhas eleitorais, através do sistema DivulgaCand. Até o momento, ao todo foram doados R$ 374,9 milhões por pessoas físicas para partidos políticos. No caso de Suarez, como ele destinou as doações aos partidos e não diretamente para figuras políticas que estão concorrendo, caso os recursos sejam posteriormente repassados aos candidatos, Suarez não aparecerá como doador direto na prestação de contas deles.

Em segundo lugar da lista de doadores pessoas físicas está o empresário Alexandre Grendene Bartelle, co-fundador da empresa de calçados Grendene, que encaminhou R$ 3,6 milhões para campanhas nos estados do Rio Grande do Sul e Ceará, principais pólos comerciais das lojas de calçados. Em terceiro lugar está o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração do Grupo Cosan, que destinou R$ 2,95 milhões.

“Rei do Gás”

O “Rei do Gás” é conhecido nos bastidores políticos das principais articulações nacionais. Em 2024, no período das eleições municipais, ele destinou R$ 1,2 milhão para campanhas eleitorais.

Carlos Suarez é um dos fundadores da construtora OAS, que depois mudou de nome para Grupo Metha, e esteve à frente do projeto controverso para construir a Usina Termoelétrica de Brasília (UTE Brasília), na Fazenda Guariroba, região de Samambaia. O caso ganhou repercussão após diversos protestos contra a construção, que destruiria uma escola pública da região. Série de reportagens do Correio da Manhã denunciou que as organizações do caso ocorriam “por baixo dos panos”. Pela série, o jornal recebeu um prêmio do Instituto Arayara.

Após uma série de denúncias, em outubro do ano passado, como relatou o Correio, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho emitiu um parecer indeferindo o pedido de Licença Prévia para a instalação da UTE Brasília. Após o pedido negado, o Ibama arquivou o caso.