Política

Governo dos EUA acusa Brasil de falhar no combate contra o crime

Documento destaca que governo brasileiro precisa adotar medida mais duras para combater facções como PCC e CV

Governo dos EUA acusa Brasil de falhar no combate contra o crime
Trump volta a pressionar Brasil por ações contra o crime organizado Crédito: Alan Santos/PR

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump (Republicano), acusou o governo brasileiro de falhar no combate ao crime organizado e, consequentemente, contra as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Segundo um documento assinado por Trump, divulgado pelo Departamento de Estados dos EUA nesta quarta-feira (16), as facções criminosas brasileiras “transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína”. A declaração, enviada da Casa Branca para o Congresso americano se trata de uma determinação para o ano fiscal de 2027, como uma prestação de contas para a liberação de recursos para fins específicos – no caso, o combate ao narcotráfico.

“Essas organizações terroristas brasileiras estão crescendo como uma ameaça para a paz e a segurança ao redor do mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas mais agressivas para combater [as facções] e se defender antes que elas cresçam e se espalhem”, escreveu o documento divulgado pelo departamento de estado americano.

Desde que os Estados Unidos passou a classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, o governo americano passou a enfrentar divergências com o governo brasileiro por conta da classificação. Apesar de reconhecer a gravidade e o tamanho das facções, tal como agradecer pela ajuda norte-americana, o governo brasileiro nega a necessidade de ampliar a classificação das organizações como terroristas, alegando que tem condições de enfrentá-las e desestruturá-las. Vale destacar que, a partir do momento em que os EUA classificam um grupo como “terrorista”, isso abre margem para intervenções dos Estados Unidos ao Brasil, inclusive militares.

O governo americano classificou 23 países (dentre eles Colômbia, Afeganistão, México, Venezuela e China) como grandes produtores ou rotas de drogas. O Brasil não foi citado nessa lista, concentrando as críticas à gestão brasileira no combate às facções criminosas como potenciais rotas de drogas.

El Salvador

Por outro lado, o governo norte-americano parabenizou a atuação da Argentina, do Equador e de El Salvador – todos países comandados por governos conservadores e ligadas à direita – em suas “lideranças e sucesso na luta contra o narcoterrorismo”.

El Salvador é conhecido por ter um regime prisional severo, tal como as demais medidas de segurança pública interna. As medidas de segurança pública, adotadas pelo chefe de estado Nayib Bukele, se tornaram referência para políticos ligados a áreas mais conservadoras por adotarem um modelo “linha dura”. Dentre as medidas, Bukele suspendeu direitos constitucionais, como o direito à defesa e à liberdade de associação, além de ter aumentado o encarceramento e os presídios de segurança máxima. O número de homicídios em El Salvador reduziram drasticamente, mas o modelo enfrenta críticas de instituições ligadas a direitos humanos.

Em 30 de agosto, o candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se encontrou com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, e declarou que, se vencer a corrida eleitoral, adotará um sistema prisional como o de El Salvador.