Campinas

Atingidos pela duplicação da Miguel Melhado mantêm mobilização após três anos de reivindicações

Atingidos pela duplicação da Miguel Melhado mantêm mobilização após três anos de reivindicações
Duplicação foi realizada pelo governo do Estado de São Paulo Crédito: Agência SP

Há três anos e meio, moradores e comerciantes afetados pela duplicação da Rodovia Miguel Melhado Campos (SP-324) em Campinas (SP) buscam soluções para o reassentamento das famílias e a realocação das atividades comerciais.

A mobilização continua, como mostrou o protesto realizado no último dia 24, em frente à Prefeitura, quando cerca de 12 pessoas cobraram a inclusão de representantes dos comerciantes nas negociações para um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

As tratativas são conduzidas pelo vice-prefeito Wanderley Almeida, o Wandão (PSB-SP) com participação do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) e da Defensoria Pública.

Como funciona

Um convênio firmado entre o DER e a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) prevê o atendimento habitacional para os removidos por meio de carta de crédito no valor de até R$ 200 mil

Mas, entre a desocupação da rodovia e a compra do imóvel, as famílias recebem um auxílio-moradia de R$ 602 da prefeitura, por meio da secretaria municipal de Habitação.

Entraves

Segundo Daniel da Silva Cardoso, coordenador do Movimento de Resistência Miguel Melhado - Campo Belo, cerca de 40 famílias ainda aguardam uma solução definitiva para o reassentamento. 

O porta-voz dos manifestantes aponta que há casos em que o prazo mínimo de 30 dias para desocupação voluntária não teria sido respeitado, assim como não teriam sido cumpridos integralmente o auxílio-moradia e a carta de crédito. 

Além disso, sustenta danos em construções, como trincas e rachaduras, que teriam sido provocadas em razão das obras. Contesta também as alternativas de realocação indicadas pelo poder público, já que áreas indicadas no bairro Colúmbia e nas proximidades da empresa Valeo não teriam documentação e alvará necessários para o funcionamento das atividades.

Após o protesto, um novo ofício foi protocolado na prefeitura para reiterar a reivindicação de participação das comissões de moradores e comerciantes nas mesas de negociação.

O outro lado

A Prefeitura não respondeu os questionamentos específicos sobre a inclusão dos comerciantes nas negociações. Afirmou que a duplicação é de responsabilidade do governo paulista, por meio do DER, e que construções irregulares em áreas públicas foram desocupadas para permitir as obras.

Disse também que a Secretaria de Habitação garante auxílio-moradia às famílias que atendem aos critérios legais e que as cartas de crédito da Cohab são compromisso do Estado, com negociações entre as famílias e o DER.

Já o CDHU informou que 77 cartas já foram emitidas. Desse total, pontuou que 37 ainda não apresentaram imóvel para avaliação, 26 chegaram à etapa de assinatura de contrato e 14 estão na fase de análise documental.

A Defensoria disse que não recebeu, até o momento, notícia de danos provocados pela duplicação, e informou que, em maio de 2024, foram realizados 18 laudos cautelares para registrar as condições dos imóveis antes e depois das intervenções.

O DER não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre o cronograma de realocação dos comerciantes, eventual indenização financeira, providências relativas a imóveis com rachaduras e a situação do convênio com a CDHU.

Em nota, informou que cerca de 100 famílias afetadas recebem acompanhamento socioambiental desde janeiro de 2024 e que mantém atendimentos presenciais e canal de WhatsApp para dúvidas, reclamações e solicitações.