A empresa MB Engenharia, terceirizada responsável por serviços de manejo arbóreo para a Prefeitura de Campinas, realizou na noite de quarta-feira (6) a retirada de dois grandes segmentos de tronco que permaneceram suspensos a cerca de 15 metros de altura na Praça do Coco, em Barão Geraldo, após a intervenção realizada no local há cerca de dez dias.
A operação gerou novos questionamentos de moradores sobre a condução técnica do serviço e a segurança dos trabalhadores envolvidos. O caso ocorre após a polêmica envolvendo a extração de duas figueiras de grande porte da praça, no fim de abril, que motivou protestos de moradores e questionamentos de especialistas sobre a necessidade do corte.
Segundo relatos de moradores, a retirada ocorreu entre 21h30 e 22h40, em uma área de grande circulação de pessoas. Imagens registradas no local também levantaram dúvidas sobre o uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) por parte de trabalhadores da empresa terceirizada responsável pela operação. A atividade ocorreu sob supervisão de um engenheiro florestal da Secretaria Municipal de Serviços Públicos e contou com acompanhamento da Guarda Municipal.
Moradores e ambientalistas questionam por que os grandes segmentos de madeira permaneceram suspensos por tantos dias em uma praça frequentada diariamente por famílias, crianças e comerciantes.
Segundo a ativista ambiental Marcela Moreira, as críticas não são direcionadas aos trabalhadores envolvidos na operação, mas à condução do serviço pela empresa terceirizada e à fiscalização do poder público. “A condução da operação demonstrou falta de preparo, planejamento e técnica”, afirmou. Ela também criticou o fato de os troncos terem permanecido suspensos por vários dias após o primeiro manejo realizado na praça.
O caso é mais um desdobramento da polêmica envolvendo o corte de árvores na Praça do Coco, que gerou protestos, pedidos de investigação e laudos independentes elaborados por especialistas ligados ao Conselho Municipal do Meio Ambiente (Condema), USP e Unicamp. O laudo técnico concluiu que as árvores removidas apresentavam condições de preservação.
Galhos permaneceram suspensos por 10 dias
Os dois grandes segmentos de tronco haviam permanecido presos por cintas desde o manejo realizado na praça no fim de abril, quando árvores foram cortadas no local em meio a protestos e questionamentos técnicos. Moradores afirmam que os galhos permaneceram suspensos a grande altura por dez dias, em uma área frequentada diariamente por crianças, famílias, comerciantes e frequentadores da tradicional feira da Praça do Coco.
Especialistas que acompanham o caso também já haviam apontado preocupação com os riscos representados pelas estruturas deixadas no local após a intervenção inicial.
Entre os principais questionamentos estão o horário escolhido para execução do serviço, a iluminação reduzida para uma atividade considerada de risco e possíveis falhas relacionadas ao uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) pelos trabalhadores da empresa terceirizada responsável pela ação.
A operação foi acompanhada por agentes da Guarda Municipal e supervisionada por um engenheiro florestal da Secretaria Municipal de Serviços Públicos. Moradores questionam se houve planejamento adequado para execução da atividade e cobram esclarecimentos sobre os protocolos de segurança adotados.
Críticas à condução técnica
A ativista ambiental Marcela Moreira afirmou que o episódio reforça críticas que já vinham sendo feitas à condução do manejo arbóreo na cidade. Segundo ela, o problema não está relacionado diretamente aos trabalhadores envolvidos na operação, mas à forma como os serviços vêm sendo executados e fiscalizados.
“A condução da operação demonstrou falta de preparo, planejamento e técnica”, afirmou.
Prefeitura diz que retirada seguiu procedimento previsto
Em nota enviada à reportagem, a Secretaria Municipal de Serviços Públicos informou que os galhos removidos já estavam cortados e suspensos e que, caso permanecessem no local, poderiam oferecer riscos à população.
Segundo a Pasta, a retirada dos segmentos de tronco seguiu o procedimento previsto e foi realizada por uma equipe do Departamento de Parques e Jardins que estava de plantão.
Sobre os questionamentos relacionados ao uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a Prefeitura afirmou que a responsabilidade pelo fornecimento e utilização dos materiais é da empresa contratada e informou que irá apurar a situação junto à terceirizada responsável pelo serviço.
Já em relação à presença da Guarda Municipal durante a operação, a administração informou que a equipe realizava patrulhamento de rotina pela região do distrito e acompanhou parte da atividade em razão do horário em que o serviço foi executado.
Divergências técnicas sobre cortes
A retirada das árvores da Praça do Coco gerou forte repercussão em Campinas e passou a ser questionada por especialistas ligados ao Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema), à USP, à Unicamp e à Unesp.
Os técnicos protocolaram na Prefeitura um laudo elaborado em contraposição aos documentos apresentados pela MB Engenharia, empresa terceirizada responsável pelo manejo. Segundo os especialistas, análises internas da madeira realizadas com equipamentos específicos indicaram que as árvores apresentavam resistência estrutural e condições de preservação.
“Estamos protocolando o resultado final do laudo técnico elaborado em contraposição à documentação apresentada pela MB Engenharia. Utilizamos equipamentos de análise interna da madeira, e os resultados indicam que as árvores tinham resistência estrutural para permanência no local”, afirmou o engenheiro florestal José Hamilton de Aguirre Júnior, integrante do Comdema.
Os especialistas também criticaram os documentos utilizados pela Prefeitura para justificar a supressão dos exemplares, considerados superficiais pelos técnicos envolvidos na análise independente.
Outro ponto que ampliou a discussão foi o parecer técnico citado posteriormente pela Prefeitura para sustentar a retirada das árvores. O documento foi elaborado a partir de laudos anteriores e sem vistoria direta no local ou análise presencial dos exemplares removidos, conforme explicou à reportagem o próprio professor responsável pelo parecer.
Segundo ele, o documento teve como objetivo apenas avaliar os laudos já existentes e não contestar o estudo técnico elaborado posteriormente pelos especialistas ligados ao Comdema, USP e Unicamp.
Vereadores pedem suspensão imediata de cortes de árvores na Praça do Coco
O pedido foi assinado pelos vereadores Mariana Conti e Fernanda Souto (PSOL), Guida Calixto, Paolla Miguel e Wagner Romão (PT) e Gustavo Petta (PCdoB). Além da interrupção das intervenções, os parlamentares pedem a retirada de dois galhos remanescentes que apresentam risco de queda.
Segundo a vereadora Mariana Conti, o laudo técnico aponta que as árvores removidas não apresentavam danos que justificassem a supressão. “A Prefeitura não pode seguir com esse projeto de devastação ambiental desenfreado. O que aconteceu na Praça do Coco não foi um fato isolado”, afirmou.