A bancada de esquerda da Câmara Municipal de Campinas protocolou um ofício junto à Prefeitura solicitando a suspensão imediata de procedimentos de destoca e novas intervenções na Praça do Coco, em Barão Geraldo, após a remoção de árvores no local. O documento também anexa um laudo elaborado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema), produzido por especialistas da área ambiental.
O pedido foi assinado pelos vereadores Mariana Conti e Fernanda Souto (PSOL), Guida Calixto, Paolla Miguel e Wagner Romão (PT) e Gustavo Petta (PCdoB). Além da interrupção das intervenções, os parlamentares pedem a retirada de dois galhos remanescentes que apresentam risco de queda.
Segundo a vereadora Mariana Conti, o laudo técnico aponta que as árvores removidas não apresentavam danos que justificassem a supressão. “A Prefeitura não pode seguir com esse projeto de devastação ambiental desenfreado. O que aconteceu na Praça do Coco não foi um fato isolado”, afirmou.
Condições de preservação
A mobilização ocorre após a divulgação de laudos independentes elaborados por engenheiros agrônomos, ambientais e florestais ligados à USP, Unesp, Unicamp e ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema), que apontam que as árvores removidas da Praça do Coco apresentavam condições de preservação e não precisariam ser suprimidas.
Os especialistas também criticaram os documentos utilizados pela Prefeitura para justificar os cortes. Segundo o engenheiro florestal José Hamilton de Aguirre Júnior, membro técnico do Comdema e mestre em Arborização Urbana pela USP, os laudos apresentados pela administração municipal seriam superficiais e não atenderiam aos critérios técnicos mais aprofundados previstos pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
O laudo do Comdema destaca a relevância ambiental e social da arborização da praça, citando benefícios como sombreamento, redução da temperatura, melhoria da qualidade do ar e auxílio no escoamento da água das chuvas. De acordo com os pesquisadores, esses fatores contribuem diretamente para o conforto térmico e a convivência no espaço público.
Porém, conforme o Correio da Manhã divulgou em primeira mão, o professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, da Esalq-USP, autor do parecer técnico divulgado pela Prefeitura posteriormente aos cortes para justificar as extrações, afirmou que não houve vistoria no local nem avaliação direta das árvores cortadas e que sua análise foi feita apenas com base nos documentos já existentes e sem análise diretas às árvores.
Sobre o ofício
A vereadora Paolla Miguel ressaltou ainda os impactos culturais da retirada das árvores. “A Praça do Coco abriga uma feira tradicional e concentra ensaios e encontros de blocos de carnaval. Essas experiências de convivência ficam mais difíceis sem a arborização”, declarou.
Já Guida Calixto afirmou que a preservação das árvores é essencial para a qualidade de vida da população. “Não aceitaremos que destruam um patrimônio ambiental e afetivo da cidade sem diálogo com a comunidade”, disse.
Laudo protocolado
O documento final foi protocolado nesta quarta-feira (5) na Prefeitura pelo engenheiro florestal José Hamilton de Aguirre Júnior, membro técnico do Condema, mestre em Agronomia e Arborização Urbana pela USP.
O engenheiro protocou o resultado final do laudo técnico elaborado em contraposição à documentação apresentada pela MB Engenharia (empresa terceirizada contratada pela Prefeitura). "Utilizamos equipamentos de análise interna da madeira, e os resultados indicam que as árvores tinham resistência estrutural para permanência no local”, afirmou.
"Nós deixaremos registrado aqui na Prefeitura esse mau procedimento e tudo que está sendo reivindicado, que é a compensação ambiental. Para que isso não ocorra mais com a urbanização de Campinas", declarou.