As obras da Rodovia Engenheiro Miguel Melhado Campos (SP- 324) “estão finalizadas”, segundo o Departamento de Estradas e Rodagem de São Paulo (DER-SP) - responsável pela duplicação, que durou 3 anos e 4 meses, ao invés dos dois anos previstos. Ainda de acordo com o departamento, o trânsito segue fechado porque “a via passa por ajustes finais”. Mas, o DER-SP ainda não obteve a licença da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) porque há pendências no licenciamento. A liberação da rodovia está atrelada ao documento.
E, apesar de ainda fechada, o DER precisou reforçar a sinalização da estrada esta semana porque no domingo (4) motoristas retiraram os cones, e carros, caminhões e motos desobedeceram o fechamento. “Os veículos mencionados não respeitaram a sinalização”, informou o DER-SP, que a reforçou “para evitar novos casos”.
O advogado Augusto César Silva Santos Gandolfo, da Proesp (Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies), lamenta: “os perigos aos cidadãos é flagrante”. Gandolfo filmou as infrações de trânsito no domingo, incluindo a de um homem pulando uma mureta com uma bicicleta.
“Os riscos à integridade das pessoas, cadeirantes, crianças, idosos, pessoas com mobilidade reduzida, foram abduzidos das preocupações da autarquia. O que foi presenciado no domingo, inclusive com a passagem de duas carretas, em alta velocidade, com produtos perigosos proibidos no trânsito da estrada, denota que a responsabilidade da vigília do DER é falha”, declara.
A maior preocupação de Gandolfo diz respeito “à ausência de uma passarela para proteção da vida dos que trabalham, estudam e fazem travessias para utilizar o ponto de ônibus (no Km 90+600)”. “Os cidadãos estão expostos aos riscos de seis pistas, sendo duas da estrada e outra duas das ruas paralelas, numa distância de cerca de 50 metros de um lado ao outro, entremeado por barreiras de muretas concretas”, acrescenta.
O Correio da Manhã entrou em contato com o departamento sobre a passarela e aguarda o posicionamento da autarquia para divulgá-lo.
Entretanto, o jornal teve acesso à nota técnica nº 2844 do processo nº 139.00081532/2025-02, emitida pelo departamento em outubro passado: “em outros casos, em condições similares, a passarela se mostrou ineficaz, dada a distância a ser percorrida pelos usuários, fazendo com que os pedestres preferissem se arriscar atravessando por baixo da obra destinada à transposição”.
SP-324
A rodovia tem 14 quilômetros e liga Vinhedo ao Aeroporto Internacional de Viracopos. O traçado começa no Km 75 da Rodovia Anhanguera (SP-330) e termina na Rodovia Santos Dumont (SP-75). No trajeto, atravessa a Rodovia José Roberto Magalhães Teixeira (SP-083), popularmente conhecido como Anel Viário de Campinas, e passa sob o quilômetro 78 da Rodovia dos Bandeirantes ((SP-348), onde não há alças de interligação. A nomenclatura da estrada refere-se ao engenheiro Miguel Melhado Campos, que exerceu o cargo de superintendente do DER-SP.
Já a duplicação - demanda aguardada há décadas na região de Campinas - começou oficialmente em 30 de setembro de 2022, concentrando-se no trecho entre os km 87 e 90, conecta o Anel Viário a Viracopos.
Com um investimento estimado em R$ 100,5 milhões, contempla a expansão das pistas, construção de viadutos, passagens inferiores para pedestres, além de melhorias na iluminação e sinalização. Um dos principais objetivos do projeto era proporcionar uma travessia mais segura para os moradores de bairros vizinhos, como o Campo Belo e o Jardim São Domingos, eliminando os índices de colisões frontais, integrando o desenvolvimento econômico de Viracopos à segurança viária da comunidade local.
O cronograma original previa a conclusão em 24 meses, mas atrasou. Paralelamente, novas frentes de trabalho foram abertas, como a duplicação do trecho em Vinhedo, iniciada em dezembro de 2024.