Correio da Manhã
Cultura DF

Alma e corpo da Amazônia

Exposição une arte e tecnologia para retratar questões dos povos da floresta

Alma e corpo da Amazônia
Mostra une arte, tecnologia e educação para retratar Amazônia Crédito: Micaela Mesant

A exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas” será aberta ao público no dia 9 de junho, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília, reunindo cerca de 80 obras de 21 artistas visuais e plásticas da região Norte do país. Com entrada gratuita e classificação indicativa livre, a mostra permanecerá em cartaz até 16 de agosto e propõe um diálogo entre arte contemporânea, tecnologia e questões relacionadas à identidade, ancestralidade, território e produção feminina na Amazônia.

Coordenada e produzida pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), a exposição ocupa a Galeria 1 do CCBB Brasília e também o Metaverso do Museu das Mulheres, ambiente virtual que integra a proposta expositiva. O projeto conta com incentivos do Ministério da Cultura, patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e apoio do CCBB.

A mostra apresenta trabalhos em diferentes linguagens, incluindo pintura, gravura, fotografia, escultura, objetos, instalações e performances. O conjunto reúne artistas de diferentes gerações e trajetórias, oferecendo um panorama da produção contemporânea feminina desenvolvida na Amazônia.

Bioma e arte

Segundo a curadoria, a proposta busca evidenciar a relação entre o bioma amazônico e os processos criativos das artistas participantes. As obras abordam temas ligados ao cotidiano, à memória, às tradições culturais, às relações sociais e aos modos de vida presentes na região Norte do Brasil.

A curadora e diretora artística da exposição, Sissa Aneleh, afirma que a construção da mostra partiu da articulação entre diferentes linguagens artísticas e da observação das transformações ocorridas na produção cultural feminina ao longo das últimas décadas. De acordo com ela, a exposição estabelece conexões entre artistas pioneiras e representantes das novas gerações, permitindo ao público conhecer múltiplas abordagens da arte produzida na Amazônia.

Imersão

A exposição também incorpora recursos tecnológicos como parte da experiência de visitação. Um dos destaques é o “Espaço Petrobras Amazônicas”, ambiente imersivo que permite ao público acessar parte das obras por meio de tecnologias de realidade expandida (XR), realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR).

Nesse espaço, os visitantes utilizam óculos tridimensionais para percorrer uma sala virtual em 360 graus. A proposta possibilita a observação das obras em ambiente digital e a interação com elementos visuais e avatares desenvolvidos para a exposição. A iniciativa amplia as possibilidades de acesso ao conteúdo artístico e integra recursos tecnológicos ao percurso expositivo.

Mensagens

Além das obras apresentadas presencialmente e no ambiente virtual, o projeto inclui a ação “Mensagem para a Amazônia”. Durante o período de circulação da exposição, será disponibilizado um espaço para registro audiovisual de depoimentos do público sobre a importância da preservação ambiental. Os vídeos produzidos ao longo da mostra passarão a compor um acervo relacionado à iniciativa.

No texto curatorial, Sissa Aneleh destaca que o título da exposição contém a palavra “AMA”, presente no início do nome Amazônicas. Segundo a curadora, o termo funciona como um conceito orientador da mostra, relacionando a produção artística feminina à reflexão sobre pertencimento, território e preservação ambiental.

Entre as artistas participantes está a pesquisadora e artista visual paraense Cristiane Martins. Para ela, espaços voltados à difusão da produção feminina contribuem para ampliar a visibilidade de diferentes narrativas e experiências desenvolvidas por mulheres nas artes visuais.

Também integram a exposição as artistas Renata Aguiar, Lise Lobato, Keila-Sankofa, Lúcia Gomes, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Nina Matos, Diná Oliveira, Sanchris, Maria Auxiliadora Zuazo, Rita Loureiro, Bárbara Savannah, Rafaela Moreira, Auá Mendes, Wra Tini, Yaka Huni Kuin, Rita Huni Kuin, Rafaela Kennedy, Val Sampaio e Rafa Bqueer. Paralelamente à exposição, será realizado o programa “Avanço das Mulheres”, voltado à formação e ao fortalecimento da atuação feminina nas áreas das artes visuais e da economia criativa. As atividades são gratuitas e oferecem certificação às participantes.

O projeto também prevê ações educativas destinadas a crianças e jovens. A programação inclui experiências lúdicas e sensoriais desenvolvidas a partir das obras da artista Lise Lobato. Entre os recursos utilizados estão objetos táteis que permitem diferentes formas de interação com os conteúdos apresentados na exposição.

A iniciativa integra o Programa Petrobras Cultural, que apoia projetos voltados à difusão artística e cultural em diferentes regiões do país. Segundo os organizadores, a proposta busca ampliar o acesso à produção cultural amazônica e promover o intercâmbio entre artistas, pesquisadores e público.

Com acessibilidade e adaptações para pessoas com deficiência, a exposição poderá ser visitada gratuitamente mediante retirada de ingressos pelo site ou na bilheteria do CCBB Brasília. A expectativa é ampliar o alcance da produção artística feminina da região Norte e promover discussões relacionadas à arte contemporânea, diversidade cultural e preservação ambiental. A exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas” é apresentada pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras. A coordenação e produção são do Museu das Mulheres, com apoio do Centro Cultural Banco do Brasil e realização do governo federal.