Internacional

Ataques da Ucrânia à 'Amazon russa' são dor de cabeça para Putin

Ação amplia mal-estar na classe média, afetada pela falta de combustíveis

Ataques da Ucrânia à 'Amazon russa' são dor de cabeça para Putin
Vladimir Putin tem "novo problema" com ataques a empresa de e-commerce Crédito: Daniel Torok/ Casa Branca

Enquanto lida com uma perigosa escassez de mísseis para defesa antiaérea contra as forças de Vladimir Putin, a Ucrânia expandiu sua guerra assimétrica com ataques de longo alcance na Rússia para a gigante do comércio online do vizinho, a Wildberries.

Nesta quarta-feira (29), mais um centro logístico da empresa foi atingido por drones, desta vez em Riazan, 215 km a sudeste de Moscou e a 500 km da fronteira ucraniana. O ataque fez parte de uma onda em diversos pontos do país, que atingiram também refinarias, além de uma base na Crimeia anexada.

Ao menos três pessoas morreram nos ataques. Em Riazan, seis funcionários da Wildberries foram feridos e a unidade está em chamas. Desde o fim de semana retrasado, a Ucrânia atacou 11 centros da gigante.

Segundo sua direção, cerca de 10% da capacidade de distribuição da empresa foi perdida, e os prejuízos são estimados entre o equivalente a R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões em produtos —fora instalações. Nesta quarta, o jornal econômico Kommersant disse que Wildberries está procurando galpões para operar a partir do Cazaquistão.

A alegação de Volodimir Zelenski para o ataque a alvo civil é que a Wildberries ajudaria na distribuição de componentes para drones russos. Pode ser, mas o objetivo político é outro: gerar mais um problema econômico e, de quebra, minar a credibilidade de Putin.

O maior banco russo, o Sberbank, disse nesta quarta que considera medidas devido ao temor de perda de musculatura financeira da Wildberries. "Estamos considerando aumentar as provisões [contra calotes]? Sim, estamos", afirmou o executivo Taras Skvortsov, que listou 300 empresas na fila de ajuste de dívidas.

Mas a questão central para o líder russo está na classe média urbana, que faz grande uso dos serviços da empresa, dona de 45% do e-commerce russo, com a também local Ozon em segundo lugar, com 30%.

O Kremlin disse que não teria como ajudar a empresa a compensar seus clientes, pois no começo do mês ela havia mudado seu estatuto definindo isenção de ressarcimento em caso de ataques externos.

Houve uma compensação inicial anunciada de R$ 2,6 milhões a consumidores de São Petersburgo, mas a fundadora da empresa, Tatiana Kim, disse nesta semana que não haverá verba para atender a todos que perderam dinheiro.