Keiko Fujimori tomou posse como presidente do Peru nesta terça-feira (28), 26 anos após o fim da ditadura de seu pai, com um discurso duro em relação à segurança pública —em linha com a campanha que a levou ao poder após três tentativas frustradas.
"Vamos recuperar cada bairro, cada estrada, cada espaço público para as famílias peruanas", afirmou a política no Congresso Nacional, onde seu partido, o Força Popular, tem maioria em ambas as Casas.
"Vamos usar todas as ferramentas que a Constituição põe à disposição do governo. Durante os estados de emergência, as Forças Armadas assumirão temporariamente a liderança das operações de segurança e do controle interno, em estreita coordenação com a Polícia Nacional, até que a autoridade do Estado seja plenamente restabelecida e esses territórios sejam devolvidos aos cidadãos", continuou, sob aplausos de seus apoiadores.
Ao lado das consequências do El Niño, fenômeno climático que deve impactar profundamente o Peru este ano, a segurança pública será a primeira frente de emergência de seu governo, disse Keiko. "Tememos pelas nossas vidas quando saímos à rua ou com a possibilidade de nossas casas serem inundadas em poucos meses", afirmou.
A frase ressoa no país, que viu, entre 2018 e 2025, as denúncias anuais de homicídios passarem de 1.000 para 2.600, enquanto as de extorsão aumentaram mais de oito vezes, chegando a 26,5 mil. Este último crime, disse Keiko, "sufoca o pequeno comerciante, o mototaxista, o empreendedor que trabalha tanto para construir um negócio".
Ela falou também em reformar o sistema penitenciário, "para que as prisões voltem a ser centros de reclusão e deixem de funcionar como centros de operação do crime organizado", sem mencionar, no entanto, as quatro megaprisões de segurança máxima que prometeu ao longo da campanha.
Keiko escolheu fazer um discurso conciso, de menos de uma hora, e iniciar sua fala com a promessa de não se estender no poder —como fez Alberto Fujimori, em 1992, ao dissolver o Congresso, intervir no Poder Judiciário e iniciar uma ditadura com o apoio das Forças Armadas.
"A partir deste 28 de julho de 2026, começaremos a escrever nosso futuro pelos próximos cinco anos. Nem um dia a mais", afirmou a presidente.
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