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EUA e Arábia Saudita atacam grupos apoiados pelo Irã no Iraque

EUA e Arábia Saudita atacam grupos apoiados pelo Irã no Iraque
Guerra no Oriente Médio ganha novos capítulos de violência Crédito: Molly Riley/ Casa Branca

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita lançaram ataques conjuntos contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque nesta quarta-feira (29), marcando os primeiros bombardeios americanos no Oriente Médio desde que o presidente Donald Trump suspendeu, na semana passada, a campanha de bombardeios dos EUA contra o Irã. As Forças de Mobilização Popular do Iraque, apoiadas por Teerã, afirmaram que ao menos 20 de seus integrantes morreram e 32 ficaram feridos nos bombardeios. Por sua vez, o Irã afirmou ter atacado bases americanas na Jordânia e embarcações no estreito de Hormuz, levando Trump a prometer ataques de retaliação contra o país. "Vamos atingi-los com força", disse Trump à Fox News, acrescentando, porém, que não descarta a possibilidade de futuras negociações com o Irã. Segundo a emissora, os ataques foram coordenados com as autoridades de Bagdá.

 

Preço do petróleo voltou a subir

Preço do petróleo voltou a subir
Estreito de Hormuz segue como foco da guerra dos Estados Unidos Crédito: NASA/GSFC via Wikimedia Commons

Em um revés diplomático, Teerã rejeitou uma proposta de Omã um novo acordo regional para administrar conjuntamente o estreito de Hormuz, por onde cerca de um quinto do petróleo global e do gás natural liquefeito fluía antes da guerra.

Com a retomada dos combates e sem perspectiva de um fim rápido para a guerra iniciada em fevereiro, os preços do petróleo subiram acentuadamente pela primeira vez desde a semana passada.

Parceria entre Riad e Washington na guerra

Washington e Riad afirmaram que os ataques foram uma retaliação a ataques com drones lançados a partir do território iraquiano contra instalações petrolíferas sauditas. Homens iraquianos entoavam slogans sectários xiitas e gritavam "Morte à América!" enquanto carregavam sacos com os corpos de combatentes mortos para fora de um hospital em Mossul, no norte do país, segundo imagens exibidas pela emissora iraquiana Al-Ahad. Foi a primeira vez, nesta guerra, que a Arábia Saudita anunciou publicamente sua participação em ataques ao lado de Washington.

Guerra entre Sunitas e Xiitas pode crescer

Isso pode ampliar o conflito ao envolver a Arábia Saudita, de maioria muçulmana sunita, em combates contra grupos aliados xiitas do Irã em uma nova frente.

A Guarda Revolucionária do Irã disse nesta quarta que suas forças atacaram três petroleiros no estreito e os forçaram a parar depois que ignoraram avisos por tomarem uma "rota insegura e ilegal".

Venezuela protesta

A Venezuela convocou na terça-feira (28) o embaixador do Irã para entregar-lhe uma nota de protesto por "expressões depreciativas e impróprias sobre as instituições e autoridades" venezuelanas por parte de Teerã, até então um dos principais aliados de Caracas, após falas do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

Reputação prejudicada

O Ministério das Relações Exteriores venezuelano exigiu "o fim de qualquer alusão ou comparação que diminua a dignidade, a soberania, a institucionalidade ou a reputação" do país latino-americano, segundo um post publicado na conta oficial da pasta na rede X.

É um momento tenso na relação entre os dois países.

'Irã não é Venezuela

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou recentemente que "o Irã não é a Venezuela", uma provável referência à operação militar dos Estados Unidos que capturou o ditador Nicolás Maduro. Desde então, a líder interina Delcy Rodríguez tem comandado o país sob a tutela de Washington.

Mudança nas relações

A convocação do embaixador pode marcar uma mudança nas relações entre Caracas e Teerã, já que os dois países mantêm uma aliança estreita desde que o ex-presidente Hugo Chávez (1954-2013) chegou ao poder, em 1999. Nas últimas décadas, os países construíram uma relação próxima por compartilharem "inimigos em comum", como os EUA.

Parceria em risco

Nesse período, os regimes assinaram acordos nos setores petroquímico, de mineração, saúde e educação, cujos detalhes não foram divulgados publicamente. Em 2025, o Irã enviou à Venezuela, entre outros produtos, 1,5 milhão de barris de gasolina para o país, então mergulhado em uma grave crise econômica e sem refinar petróleo para a demanda interna.

Cenário mudou

Desde a captura de Maduro, porém, em janeiro deste ano, o cenário mudou. Delcy restabeleceu as relações com Washington, enquanto o presidente Donald Trump tem elogiado reiteradamente sua atuação. As negociações entre o regime e a oposição devem começar em 1º de agosto, com respaldo da gestão dos Estados Unidos.