Correio da Manhã
Internacional

TV estatal da Hungria admite mentiras de aliado de Jair Bolsonaro

Em comunicado, a TV estatal M1 pediu "desculpas" por "mentir durante tantos anos" na gestão do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, aliado dos Bolsonaro

TV estatal da Hungria admite mentiras de aliado de Jair Bolsonaro
Orbán e Eduardo Bolsonaro se encontraram na embaixada da Hungria nos EUA em novembro de 2025 Crédito: Reprodução/Redes sociais

A emissora estatal M1, principal canal de televisão da Hungria, interrompeu sua transmissão na terça-feira (7) para emitir um comunicado no qual se desculpava por divulgar mentiras durante os 16 anos de governo do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, amigo e aliado político do ex-presidente Jair Bolsonaro e do filho, Eduardo Bolsonaro.

No comunicado, exibido em tela preta durante suspensão das atividades para uma reformulação de conteúdo, a M1 dizia: “A mídia de serviço público não pode mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tantos anos.”

Viktor Orbán assumiu o poder na Hungria em 2010 e deixou o cargo de primeiro-ministro no dia 9 de maio deste ano. Seu sucessor, Peter Magyar, anunciou a medida adotada pela emissora M1 como “o fim das transmissões de propaganda nas plataformas públicas”.

Desde sua posse, Magyar lançou uma série de iniciativas voltadas a combater o que chamou de “máfia” implementada por Orbán no Estado húngaro, incluindo uma proposta de reforma constitucional que impede a concentração de poder vista durante o governo do antecessor e encerra o “modelo de intimidação de Orbán e de sua política baseada na propaganda”.

Apoio aos Bolsonaro

Aliados políticos desde o governo de Jair Bolsonaro, Viktor Orbán e Eduardo Bolsonaro se encontraram pela última vez em novembro de 2025, na embaixada da Hungria nos Estados Unidos, onde o ex-deputado mora desde fevereiro daquele ano.

Na ocasião, o então primeiro-ministro húngaro criticou a suposta “caça às bruxas” ao ex-presidente brasileiro, que havia sido condenado em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Em suas redes sociais, o então primeiro-ministro classificou a família Bolsonaro como “amigos e aliados que nunca desistem”.

“Estamos firmemente ao lado dos Bolsonaros nestes tempos difíceis, amigos e aliados que nunca desistem. Continuem lutando: caças às bruxas políticas não têm lugar na democracia, a verdade e a justiça devem prevalecer!”, disse Orbán após o encontro. 

Eduardo Bolsonaro também usou as redes sociais para registrar o encontro com Orbán. O ex-deputado disse ter exposto “em detalhes” os “abusos” supostamente cometidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

“Pude expor a ele, em detalhes, os abusos que Moraes e a Suprema Corte têm imposto a Jair Bolsonaro, sua família e apoiadores, perseguição que tanto Orbán quanto Trump classificam como uma verdadeira 'caça às bruxas'”, afirmou Eduardo Bolsonaro, citando o ex-premiê como exemplo.

“Busco aprender diretamente na fonte as melhores práticas de seu movimento - e não são poucas - em políticas de migração, defesa da família e combate ao comunismo, o que, por óbvio, inclui a preservação das liberdades”, disse o ex-deputado.