Jair Bolsonaro desabafou e disse não acreditar que estava sendo alvo de uma nova operação da Polícia Federal, que ocorreu nesta quarta-feira, na casa do ex-presidente.
Cedo pela manhã, duas viaturas da Polícia Federal (PF) estacionaram em frente à residência de Bolsonaro, no bairro do Jardim Botânico, em Brasília. Os carros estavam descaracterizados para não chamar a atenção.
A coluna apurou que cerca de 10 policiais vistoriaram todo o imóvel em busca de armas que o ex-presidente poderia estar escondendo. A casa ficou cheia, tendo em vista que já conta com dois policiais militares que fazem a custódia de Bolsonaro.
A operação de busca e apreensão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes foi minuciosa. Até mesmo o quarto de Laura, a filha adolescente de Bolsonaro, de 15 anos, foi vistoriado. Os agentes vasculharam armários, roupas, camas, banheiros, sofá, todos os móveis da residência e também a área do jardim.
Ainda quando os policiais estavam no local, Bolsonaro lamentou a necessidade da operação e que Laura e a esposa Michelle, que estavam presentes naquele momento, tivessem que passar pela situação. Durante a ação policial, Michelle demonstrou bastante incômodo e procurou acalmar a filha.
Ao final das buscas, os agentes não encontraram nenhuma arma escondida ou qualquer outro objeto que configurasse o descumprimento dos requisitos exigidos pelo ministro Alexandre de Moraes ao conceder a prisão domiciliar humanitária a Jair Bolsonaro. O regime domiciliar foi concedido por questões de saúde.
A coluna apurou que, desde a chegada até a saída, os agentes da PF não agiram com truculência e foram respeitosos com a família do ex-presidente.
Depois das buscas, Bolsonaro quis saber se o Supremo Tribunal Federal ou a Polícia Federal haviam divulgado para a imprensa a operação e o resultado da operação.
Ao tomar conhecimento de que nenhuma divulgação havia sido dada pelas autoridades, Bolsonaro disse que se tivessem encontrado um estilingue na casa dele, a operação teria sido divulgada com alarde, estamparia a capa de todos os jornais e tomaria conta do noticiário na televisão.
O ex-presidente, então, solicitou a sua equipe de advogados que emitisse uma nota para relatar o acontecido.
Dois dias antes da operação, a coluna Paulo Cappelli noticiou com exclusividade que Alexandre de Moraes deu um prazo de 48 horas para o Exército Brasileiro entregar à Polícia Federal oito armas de Jair Bolsonaro que estavam acauteladas com as Forças Armadas.
O armamento ficará apreendido e vinculado ao processo de execução penal relacionado ao ex-presidente. A decisão foi assinada no último domingo, após a defesa informar ao STF que duas armas já haviam sido entregues. Segundo os advogados, os demais armamentos permaneciam acautelados no Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília.
Moraes determinou: "Ao Comando do Batalhão de Polícia do Exército em Brasília que proceda a entrega das armas abaixo nominadas à Superintendência da Polícia Federal, que deverá realizar a apreensão e guarda das mesmas vinculada ao presente processo".
No documento, o ministro determinou que o Exército encaminhasse imediatamente à PF oito armas, entre elas pistolas de calibres .380, .40 e 9mm, uma carabina/fuzil Springfield calibre 7,62 mm e duas espingardas calibre 12.
Com a operação realizada nesta quarta-feira, fica evidente que Alexandre de Moraes quis saber se, além dessas armas, Bolsonaro tinha alguma outra escondida em casa.
Fabio Wajngarten, que chegou a chefiar a Secretaria de Comunicação no governo Bolsonaro, criticou a operação policial. Ele escreveu: "O famoso esculacho. Pelo presidente Jair Bolsonaro, vamos ajudar o Flávio".
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro disse que a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na casa de Jair Bolsonaro foi uma "tentativa de criar uma cortina de fumaça" para atrair a atenção do noticiário enquanto ele, Flávio, cumpre agenda nos Estados Unidos para tentar evitar a imposição de novas tarifas do governo de Donald Trump contra o Brasil.
Durante uma live no YouTube, Flávio Bolsonaro disse: "Mais uma comprovação de que incomodamos o sistema. A todo momento, estão tentando interferir nas eleições. Hoje pela manhã, o presidente Bolsonaro tomou outra busca e apreensão, em uma clara tentativa de criar uma cortina de fumaça para dividir o noticiário enquanto eu estou trabalhando pelo Brasil nos Estados Unidos".
O senador está em solo norte-americano para tentar demover o governo de Donald Trump de aplicar novas tarifas a produtos brasileiros.
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