A morte do advogado carioca Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, encontrado sem vida no Instituto Médico Legal (IML), na última sexta-feira(10), em São Paulo, trouxe atenção para o trabalho pericial em casos nos quais o corpo não apresenta sinais aparentes de violência. A definição da causa do óbito depende da análise conjunta da necropsia, do exame toxicológico e de outros elementos reunidos durante a investigação.
A médica especialista em Medicina Legal e Perícia Médica Caroline Daitx explica que a necropsia e o exame toxicológico têm funções diferentes e se complementam. A necropsia avalia o corpo interna e externamente para identificar doenças, hemorragias, lesões ou outras alterações que possam explicar a morte. No entanto, nem todas as causas deixam marcas detectáveis durante o procedimento.
"Algumas doenças, especialmente determinadas alterações elétricas do coração, podem provocar morte súbita sem deixar sinais evidentes durante a necropsia", afirma a especialista. Nesses casos, o exame toxicológico pode identificar medicamentos, álcool, drogas, venenos e outras substâncias presentes no organismo que não seriam constatadas apenas pela inspeção do corpo.
Segundo Daitx, sintomas como mal-estar e vômito, relatados antes de algumas mortes, não permitem apontar uma causa específica. Entre as possibilidades investigadas estão doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC), crises convulsivas, alterações metabólicas e intoxicações. Ela ressalta que, nas suspeitas de envenenamento ou intoxicação, o tempo entre a morte e a coleta das amostras pode influenciar a identificação de determinadas substâncias, tornando a escolha do material biológico e a interpretação dos resultados etapas importantes da perícia.
Além dos exames laboratoriais, a investigação considera o histórico médico da vítima, depoimentos, imagens de câmeras de segurança, informações sobre o local da morte e outras evidências obtidas pela polícia. "O laudo pericial não é construído apenas a partir do que o corpo revela. A conclusão técnica resulta da convergência entre os exames, o histórico da vítima e todas as informações reunidas durante a investigação. Quando essas evidências apontam na mesma direção, o diagnóstico ganha solidez. Quando divergem, significa que a investigação ainda precisa avançar", diz Caroline Daitx.
Os laudos necroscópico e toxicológico sobre a morte do advogado devem ser concluídos nas próximas semanas. Até a divulgação dos resultados, a causa do óbito permanece em investigação.
Menu