O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza nesta quarta-feira (5) mais uma reunião decisiva para a economia brasileira. A expectativa predominante entre analistas do mercado financeiro é de que a autoridade monetária anuncie um novo corte na taxa Selic, reduzindo os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano.
Caso a projeção seja confirmada, será a quarta redução consecutiva promovida pelo Copom e o menor patamar da Selic desde março de 2025. A decisão oficial será divulgada após as 18h, acompanhada do comunicado que detalhará os motivos da escolha e indicará os próximos passos da política monetária.
Mesmo com a redução esperada, o Brasil continuará entre os países com as maiores taxas reais de juros do mundo, considerando o desconto da inflação projetada para os próximos 12 meses.
Mercado aposta em novos cortes até o fim do ano
As projeções do mercado financeiro indicam que o ciclo de flexibilização monetária ainda pode continuar. A expectativa predominante é de que a Selic encerre 2026 em 13,75% ao ano, o que pressupõe mais um corte na reunião prevista para novembro.
O cenário, porém, continua cercado de incertezas. A retomada das tensões no Oriente Médio elevou as cotações internacionais do petróleo, aumentando o risco de pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil e, consequentemente, sobre a inflação.
Nos últimos dias, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizando novas negociações com o Irã contribuíram para amenizar parte das preocupações do mercado, embora o ambiente externo permaneça instável.
Como o Banco Central define a taxa Selic
A definição da taxa básica de juros segue o regime de metas de inflação adotado pelo Banco Central. O principal objetivo é manter a inflação próxima da meta estabelecida para preservar o poder de compra da população e garantir maior estabilidade econômica.
Desde o início de 2025, o país passou a adotar o sistema de meta contínua, com objetivo central de 3% ao ano e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Como a inflação permaneceu acima do limite da meta por seis meses consecutivos até junho, o Banco Central precisou divulgar uma carta pública explicando os fatores que impediram o cumprimento do objetivo.
Nas decisões do Copom, o foco está nas projeções futuras da inflação, e não apenas nos índices atuais. Isso ocorre porque os efeitos das alterações na Selic costumam levar entre seis e 18 meses para impactar plenamente a atividade econômica.
Atualmente, a autoridade monetária considera principalmente o comportamento esperado da inflação para o primeiro trimestre de 2028.
Inflação ainda inspira cautela
Embora os indicadores recentes tenham apresentado melhora, as estimativas do mercado continuam acima da meta estabelecida pelo Banco Central.
As projeções apontam inflação de 5,03% em 2026, 4,22% em 2027 e 3,80% em 2028, todas superiores ao centro da meta de 3%.
Esse cenário faz com que especialistas defendam continuidade no processo de redução dos juros, mas com cautela diante dos riscos internos e externos.
Economistas veem espaço para corte, mas defendem prudência
Para o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, as condições atuais permitem uma nova redução da Selic para 14% ao ano, embora o Banco Central deva manter um discurso cauteloso sobre as próximas decisões.
Segundo ele, apesar da inflação projetada próxima da meta no horizonte relevante, fatores como expectativas inflacionárias elevadas, mercado de trabalho aquecido, atividade econômica resiliente e as incertezas internacionais justificam a manutenção de uma política monetária ainda restritiva.
Já o economista Marco Antonio Caruso, do Santander, avalia que os dados mais recentes de inflação contribuíram para reduzir a pressão por uma postura mais rígida do Banco Central.
Na avaliação do especialista, o IPCA-15 de julho apresentou resultado melhor do que o esperado, indicando sinais positivos na inflação subjacente. Ainda assim, ele ressalta que a inflação de serviços e dos núcleos permanece acima dos níveis considerados compatíveis com a meta, exigindo atenção nas próximas decisões do Copom.
Menu